Tudo em aberto nas legislativas


As sondagens são meras tendências e é decisiva a escolha do novo líder socialista.


Nota prévia: Se for verdade que João Galamba foi escutado 82 mil vezes na Operação Influencer ao longo de quatro anos e só dez interceções foram relevantes, estamos perante uma prática de investigação que remete para métodos de regimes de extrema direita ou comunistas. Galamba passa de investigado a perseguido.

1. As sondagens conhecidas pouco ou nada dizem quanto ao desiderato das eleições legislativas de 10 de março. Desde logo, porque só se sabe quem será o candidato do PS a primeiro-ministro no sábado que vem. A probabilidade de ser Pedro Nuno Santos parece maior, mas é nas urnas que se fazem as contas e José Luís Carneiro tem crescido pelo menos na bolha mediática. Não é indiferente para o resultado de março ser um ou outro. Pelo contrário. Pedro Nuno pode ir pescar mais à esquerda, embora precise muito do centro. Já José Luís Carneiro tem obviamente mais votos nos moderados. Há a ideia de que o PSD marca passo, o que está por provar. Montenegro sabe que a grande luta arranca em janeiro. Está a cuidar dos bastidores, visto que no PSD a coisa mais complicada que há é constituir uma lista de deputados, sobretudo depois do lamentável plantel que Rui Rio deixou. Na melhor das hipóteses, as sondagens conhecidas definem tendências. E aí há um dado inequívoco. O Chega será uma realidade reforçada com a qual vai ser preciso contar para muita coisa num parlamento que se prevê pulverizado. Isto, independentemente de Ventura deixar passar um governo liderado pelo PSD ou mesmo ser chamado a integrá-lo. Os pequenos partidos também podem vir a ter um potencial decisório maior do que habitualmente. Por exemplo, o PAN, se tiver dois deputados, pode ser o fiel da balança, uma vez que diz não ser de direita nem de esquerda. E já se viu pela Madeira que sobretudo gosta de poleiro. Há muito caminho para fazer até às legislativas. Sábado, depois dos resultados da corrida no PS, as coisas ficarão um pouco mais claras.

2. Até ver, por muito que alguma comunicação social e certos “arrependidos” insistam, não há evidência do Presidente Marcelo ter usado de cunha no caso das gémeas portuguesas e brasileiras. É reconhecido que Marcelo nunca foi uma figura dada a esse tipo de recurso que, em Portugal, além de usual, é bastas vezes uma necessidade para a resolução de problemas graves ou anódinos. O que se sabe é que, sim, o PR foi contactado por email pelo filho, Nuno, que lhe dirigiu uma exposição sobre o caso. Daí para a frente, a presidência fez o costume. Pediu uma indagação sumária a uma assessora. Seguidamente, mandou o caso para o primeiro-ministro que o distribuiu para a tutela da saúde, certamente por o considerar relevante. Sabe-se que em Belém houve o cuidado de retirar o nome do Dr. Nuno Rebelo de Sousa da mensagem. Num passo seguinte, o que parece óbvio é que o Dr. Nuno terá passado do mail ao ato, contactando diretamente um certo secretário de Estado (havia vários, mas aponta-se Lacerda Sales), o qual terá pressionado o Hospital de Santa Maria a aplicar às crianças portuguesas residentes fora do país (que alguns parecem considerar nacionais de segunda) um tratamento que, na altura, custava dois milhões de euros para cada uma, e que já tinha sido usado, pelo menos uma vez, com sucesso, na célebre bebé Matilde Ao que se sabe, o tratamento já foi, entretanto, aplicado mais de trinta vezes a outras crianças, algumas não portuguesas de origem. Sabe-se ainda, por uma câmara ligada e que dá um plano estranho, que a mãe das crianças admitiu que recorreu à atual nora do presidente Marcelo para acelerar o processo no tratamento das filhas, coisa que 99% dos portugueses também fariam. O tratamento das gémeas tinha sido rejeitado no hospital da Estefânia por falta de evidência científica da sua eficácia. Se fosse hoje, provavelmente a decisão seria outra, como se referiu acima. Uma vez potencialmente excluído o presidente Marcelo da hipótese de cunha direta, pela ausência de evidências imediatas e pelo seu rigor habitual nestes casos, sobram muitas coisas por esclarecer. Será que alguém no governo forçou mesmo o Santa Maria e os seus médicos a dar o tratamento contra vontade? E quem pediu? Porque cederam os médicos a uma cunha? É esse o sistema generalizado em casos bicudos? Porque que é que um certo médico vem agora dar uma de arrependido e de vítima do processo se, aparentemente, podia ter denunciado tudo na altura? Ainda por cima, o próprio diz que mantinha larga troca de correspondência com o presidente por email, até sobre política. Porque razão o foco da investigação jornalística está dirigido ao Chefe de Estado quando é aquele que não tem poderes executivos? Que culpa tem um pai se um filho, com o qual tem uma relação tão distante que se contactam por email, eventualmente usar o apelido para passar à frente? E porque razão é que há um guru que aparece, qual pato do ventríloquo, a sugerir numa televisão que o caso seja chamado Belém e não “Gémeas”? E porque não Santa Maria? Então não havia naquele hospital alguém com a coragem da Christine da TAP que, face a uma cunha envolvendo supostamente o presidente, dissesse que só o faria mediante uma ordem escrita? Será que em vez de jornalismo à Watergate andamos numa mera campanha política? A justiça a seu tempo e no seu tempo o dirá, uma vez que está a investigar o assunto desde 7 de novembro. Precisamente nesse dia António Costa demitiu-se e a Procuradora Geral foi a Belém. Pensava-se que para explicar a situação do primeiro-ministro, mas agora há dúvidas legítimas. Pode-se admitir que lhe foi falar do próprio caso das crianças e do seu alegado envolvimento. Talvez não fosse estranho, visto que a procuradora é nomeada formalmente pelo chefe de Estado. No meio disto, há que perceber que na guerra de audiências de televisão o tema é guloso e pode ser esticado indefinidamente. É o que parece com a publicação às pinguinhas de elementos supostamente novos, mas que se percebe estarem em carteira há um tempinho. Tudo sucede num momento político altamente complexo. Esperemos que o Presidente da República não se deixe afetar por ele nas decisões futuras, havendo que reconhecer que a sua gestão mediática do problema foi infeliz. É altura de ele mostrar nervos de aço. Se lhe serve de consolo, Marcelo que fale com Biden cujo filho se envolveu num problema que lhe está a causar sérios danos políticos. Nem todos os filhos têm o cuidado de não usar o nome dos progenitores nas suas vidas profissionais. Lamentavelmente!

3. É tempo de escolher acontecimentos e figuras nacionais e mundiais. Num mundo sombrio há que olhar para o que de melhor se fez, pelo menos no panorama interno. E aí a escolha da Jornada Mundial da Juventude é justificada pela enorme adesão que suscitou, juntando em Portugal mais de um milhão de peregrinos. Praticamente tudo correu bem. Até a infraestrutura que ficou disponível junto à Expo em Lisboa é uma melhoria notável. Dom Américo Aguiar, agora Cardeal e Bispo de Setúbal, foi o pivô da gigantesca operação. A JMJ e Dom Américo são escolhas óbvias. Menção honrosa para os presidentes da Câmara de Lisboa e de Loures e para a ministra Ana Catarina Mendes. Chapeau!

4. Em termos internacionais há muito por onde escolher, sobretudo pelo horror e violência. O ataque terrorista do Hamas e a resposta sanguinária de Israel são o acontecimento mundial, colocando em segundo plano a invasão da Ucrania pelo regime de Putin, agora candidato a mais um mandato, através de eleições à Maduro. Todavia, a grande figura é Xi-Ji Ping, o líder chinês. É o homem mais poderoso do mundo. Controla a China com mão de ferro. Tem poderes jamais vistos no ditatorial regime. Mas isso é apenas parte de um plano de controlo planetário que está em curso, começando pela domesticação do russo, o controlo de toda a Ásia e o domínio de África por via da exploração dos seus recursos. Já o Ocidente compra-se com dinheiro, empresas e políticos. Outro facto mundial marcante foi o emergir do ChatGPT e a generalização de uma realidade chamada Inteligência Artificial. Tanto pode ser um bem como mais um prego no caixão da Humanidade. Mas o facto é que ela anda por aí, alavancada por uns espertos que se aproveitam da natural estupidez das grandes massas humanas.

Tudo em aberto nas legislativas


As sondagens são meras tendências e é decisiva a escolha do novo líder socialista.


Nota prévia: Se for verdade que João Galamba foi escutado 82 mil vezes na Operação Influencer ao longo de quatro anos e só dez interceções foram relevantes, estamos perante uma prática de investigação que remete para métodos de regimes de extrema direita ou comunistas. Galamba passa de investigado a perseguido.

1. As sondagens conhecidas pouco ou nada dizem quanto ao desiderato das eleições legislativas de 10 de março. Desde logo, porque só se sabe quem será o candidato do PS a primeiro-ministro no sábado que vem. A probabilidade de ser Pedro Nuno Santos parece maior, mas é nas urnas que se fazem as contas e José Luís Carneiro tem crescido pelo menos na bolha mediática. Não é indiferente para o resultado de março ser um ou outro. Pelo contrário. Pedro Nuno pode ir pescar mais à esquerda, embora precise muito do centro. Já José Luís Carneiro tem obviamente mais votos nos moderados. Há a ideia de que o PSD marca passo, o que está por provar. Montenegro sabe que a grande luta arranca em janeiro. Está a cuidar dos bastidores, visto que no PSD a coisa mais complicada que há é constituir uma lista de deputados, sobretudo depois do lamentável plantel que Rui Rio deixou. Na melhor das hipóteses, as sondagens conhecidas definem tendências. E aí há um dado inequívoco. O Chega será uma realidade reforçada com a qual vai ser preciso contar para muita coisa num parlamento que se prevê pulverizado. Isto, independentemente de Ventura deixar passar um governo liderado pelo PSD ou mesmo ser chamado a integrá-lo. Os pequenos partidos também podem vir a ter um potencial decisório maior do que habitualmente. Por exemplo, o PAN, se tiver dois deputados, pode ser o fiel da balança, uma vez que diz não ser de direita nem de esquerda. E já se viu pela Madeira que sobretudo gosta de poleiro. Há muito caminho para fazer até às legislativas. Sábado, depois dos resultados da corrida no PS, as coisas ficarão um pouco mais claras.

2. Até ver, por muito que alguma comunicação social e certos “arrependidos” insistam, não há evidência do Presidente Marcelo ter usado de cunha no caso das gémeas portuguesas e brasileiras. É reconhecido que Marcelo nunca foi uma figura dada a esse tipo de recurso que, em Portugal, além de usual, é bastas vezes uma necessidade para a resolução de problemas graves ou anódinos. O que se sabe é que, sim, o PR foi contactado por email pelo filho, Nuno, que lhe dirigiu uma exposição sobre o caso. Daí para a frente, a presidência fez o costume. Pediu uma indagação sumária a uma assessora. Seguidamente, mandou o caso para o primeiro-ministro que o distribuiu para a tutela da saúde, certamente por o considerar relevante. Sabe-se que em Belém houve o cuidado de retirar o nome do Dr. Nuno Rebelo de Sousa da mensagem. Num passo seguinte, o que parece óbvio é que o Dr. Nuno terá passado do mail ao ato, contactando diretamente um certo secretário de Estado (havia vários, mas aponta-se Lacerda Sales), o qual terá pressionado o Hospital de Santa Maria a aplicar às crianças portuguesas residentes fora do país (que alguns parecem considerar nacionais de segunda) um tratamento que, na altura, custava dois milhões de euros para cada uma, e que já tinha sido usado, pelo menos uma vez, com sucesso, na célebre bebé Matilde Ao que se sabe, o tratamento já foi, entretanto, aplicado mais de trinta vezes a outras crianças, algumas não portuguesas de origem. Sabe-se ainda, por uma câmara ligada e que dá um plano estranho, que a mãe das crianças admitiu que recorreu à atual nora do presidente Marcelo para acelerar o processo no tratamento das filhas, coisa que 99% dos portugueses também fariam. O tratamento das gémeas tinha sido rejeitado no hospital da Estefânia por falta de evidência científica da sua eficácia. Se fosse hoje, provavelmente a decisão seria outra, como se referiu acima. Uma vez potencialmente excluído o presidente Marcelo da hipótese de cunha direta, pela ausência de evidências imediatas e pelo seu rigor habitual nestes casos, sobram muitas coisas por esclarecer. Será que alguém no governo forçou mesmo o Santa Maria e os seus médicos a dar o tratamento contra vontade? E quem pediu? Porque cederam os médicos a uma cunha? É esse o sistema generalizado em casos bicudos? Porque que é que um certo médico vem agora dar uma de arrependido e de vítima do processo se, aparentemente, podia ter denunciado tudo na altura? Ainda por cima, o próprio diz que mantinha larga troca de correspondência com o presidente por email, até sobre política. Porque razão o foco da investigação jornalística está dirigido ao Chefe de Estado quando é aquele que não tem poderes executivos? Que culpa tem um pai se um filho, com o qual tem uma relação tão distante que se contactam por email, eventualmente usar o apelido para passar à frente? E porque razão é que há um guru que aparece, qual pato do ventríloquo, a sugerir numa televisão que o caso seja chamado Belém e não “Gémeas”? E porque não Santa Maria? Então não havia naquele hospital alguém com a coragem da Christine da TAP que, face a uma cunha envolvendo supostamente o presidente, dissesse que só o faria mediante uma ordem escrita? Será que em vez de jornalismo à Watergate andamos numa mera campanha política? A justiça a seu tempo e no seu tempo o dirá, uma vez que está a investigar o assunto desde 7 de novembro. Precisamente nesse dia António Costa demitiu-se e a Procuradora Geral foi a Belém. Pensava-se que para explicar a situação do primeiro-ministro, mas agora há dúvidas legítimas. Pode-se admitir que lhe foi falar do próprio caso das crianças e do seu alegado envolvimento. Talvez não fosse estranho, visto que a procuradora é nomeada formalmente pelo chefe de Estado. No meio disto, há que perceber que na guerra de audiências de televisão o tema é guloso e pode ser esticado indefinidamente. É o que parece com a publicação às pinguinhas de elementos supostamente novos, mas que se percebe estarem em carteira há um tempinho. Tudo sucede num momento político altamente complexo. Esperemos que o Presidente da República não se deixe afetar por ele nas decisões futuras, havendo que reconhecer que a sua gestão mediática do problema foi infeliz. É altura de ele mostrar nervos de aço. Se lhe serve de consolo, Marcelo que fale com Biden cujo filho se envolveu num problema que lhe está a causar sérios danos políticos. Nem todos os filhos têm o cuidado de não usar o nome dos progenitores nas suas vidas profissionais. Lamentavelmente!

3. É tempo de escolher acontecimentos e figuras nacionais e mundiais. Num mundo sombrio há que olhar para o que de melhor se fez, pelo menos no panorama interno. E aí a escolha da Jornada Mundial da Juventude é justificada pela enorme adesão que suscitou, juntando em Portugal mais de um milhão de peregrinos. Praticamente tudo correu bem. Até a infraestrutura que ficou disponível junto à Expo em Lisboa é uma melhoria notável. Dom Américo Aguiar, agora Cardeal e Bispo de Setúbal, foi o pivô da gigantesca operação. A JMJ e Dom Américo são escolhas óbvias. Menção honrosa para os presidentes da Câmara de Lisboa e de Loures e para a ministra Ana Catarina Mendes. Chapeau!

4. Em termos internacionais há muito por onde escolher, sobretudo pelo horror e violência. O ataque terrorista do Hamas e a resposta sanguinária de Israel são o acontecimento mundial, colocando em segundo plano a invasão da Ucrania pelo regime de Putin, agora candidato a mais um mandato, através de eleições à Maduro. Todavia, a grande figura é Xi-Ji Ping, o líder chinês. É o homem mais poderoso do mundo. Controla a China com mão de ferro. Tem poderes jamais vistos no ditatorial regime. Mas isso é apenas parte de um plano de controlo planetário que está em curso, começando pela domesticação do russo, o controlo de toda a Ásia e o domínio de África por via da exploração dos seus recursos. Já o Ocidente compra-se com dinheiro, empresas e políticos. Outro facto mundial marcante foi o emergir do ChatGPT e a generalização de uma realidade chamada Inteligência Artificial. Tanto pode ser um bem como mais um prego no caixão da Humanidade. Mas o facto é que ela anda por aí, alavancada por uns espertos que se aproveitam da natural estupidez das grandes massas humanas.