Primeira Liga. Há muito mais do que um campeonato em jogo

Primeira Liga. Há muito mais do que um campeonato em jogo


A festa do futebol está de volta. Benfica, FC Porto, Braga e Sporting vão jogar para a glória e para os milhões da UEFA, isto numa época em que a arbitragem vai ser mais exigente e também mais escrutinada.


por João Sena

Na próxima sexta-feira, Braga e Famalicão dão o pontapé de saída para a época 2023/24 – a 90.ª temporada do campeonato nacional (hoje conhecido como Liga I). Vai ser uma longa maratona até 19 de maio, data da última jornada, embora a temporada só termine a 26 de maio com a final da Taça de Portugal. Há natural expectativa para saber se vamos ter um campeonato nos moldes do ano passado, com duas equipas a lutar pelo título, ou se o campeonato vai ser mais equilibrado entre as quatro principais equipas.

 

Melhor arbitragem

Em 2023/24 vai haver mudanças no setor da arbitragem. O Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) quer dar maior transparência nos critérios e decisões dos árbitros. Nesse sentido, vai divulgar algumas comunicações áudio entre o árbitro de campo e o VAR em determinados jogos uma vez por mês. “Vemos isto como algo pedagógico. Queremos que as pessoas compreendam as decisões e a forma como são tomadas. Não queremos causar polémicas. Se não for esse o caminho de todos, temos sempre a opção de fechar novamente”, explicou José Fontelas Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem. “Para já, será divulgada de forma mensal, mas, se correr bem, pode passar a ser mais recorrente”.

A iniciativa ajuda a credibilizar a arbitragem, mas o facto de serem divulgadas apenas algumas comunicações pode criar intoxicação nas redes sociais e alimentar a guerrilha entre os departamentos de comunicação dos clubes. Quanto ao facto dessa divulgação não ser feita em tempo real, a exemplo do que está a acontecer no Campeonato do Mundo feminino, Fontelas Gomes esclareceu que “a FPF foi a primeira federação a pedir para utilizar esse método, só que o pedido foi rejeitado pelo International Board, essa autorização existe apenas para as competições FIFA”.

Até ao ano passado, a tecnologia VAR esteve presente na Liga I, a partir de 2023/24 a sua utilização vai ser alargada à Liga 2 e ao campeonato nacional feminino. Nos jogos do principal escalão vão estar disponíveis entre 11 e 18 câmaras, nas outras competições vão existir entre quatro e seis câmaras. Antes o VAR estava presente em nove jogos por semana, agora passa a haver 24 partidas por jornada, o que obriga a ter 23 árbitros principais, 40 assistentes e 11 vídeo-árbitros.

Os 23 árbitros da primeira liga receberam novas indicações relativas aos comportamentos nos bancos de suplentes. A UEFA pretende reduzir drasticamente as imagens dos comportamentos incorretos, dos aglomerados de jogadores em torno do árbitro ou qualquer conduta antidesportiva. Nesse sentido, existem regras mais apertadas e castigos mais pesados: os avisos serão substituídos pelo cartão amarelo ao primeiro incidente. “É um problema do futebol português e do futebol europeu. Há cada vez mais comportamentos incorretos e abusivos nos bancos e isso tira o foco da equipa de arbitragem do próprio jogo. Vamos continuar a combater esses comportamentos, agora de uma forma mais acérrima”, garantiu o árbitro Luís Godinho.

Existem novas indicações relativamente ao tempo de compensação no final de cada parte. Cada paragem para substituição deve ser compensada com 45 segundos (atualmente são 30 segundos) e um minuto pelos festejos de cada golo, para além dos restantes minutos em função de paragens para assistência médica e outras perdas de tempo.

De acordo com o International Football Association Board (IFAB), o árbitro assistente de reserva poderá participar nas comunicações entre os membros da equipa de arbitragem.

Ainda segundo as novas leis do IFAB, os guarda-redes devem ficar em cima da linha de baliza no momento do penálti. Os comportamentos provocadores, com o intuito de distrair o jogador que vai marcar a grande penalidade, estão proibidos.

 

Braga domina

A distribuição geográfica dos clubes mostra que a Associação de Futebol de Braga domina o panorama nacional, com um terço dos clubes (Braga, Famalicão, Gil Vicente, Moreirense, Vitória de Guimarães e Vizela), seguindo-se a Associação de Lisboa com cinco equipas (Benfica, Sporting, Casa Pia, Estoril Praia, Estrela da Amadora), a Associação do Porto com três clubes (FC Porto, Boavista e Rio Ave), a Associação de Faro com duas equipas (Farense e Portimonense), a Associação de Aveiro (Arouca) e a Associação de Vila Real (Chaves), ambas com um clube. Há uma nova realidade para os recém-promovidos Estrela da Amadora, Farense e Moreirense, e, pela primeira vez, em 38 anos não haverá equipas das ilhas no campeonato nacional. Futebol de primeira só mesmo no continente.

Portugal caiu para o sétimo lugar no ranking da UEFA, em consequência disso apenas o campeão nacional entra diretamente na fase de grupos da Liga dos Campeões e o vice-campeão participa na terceira pré-eliminatória. Tendo em conta o ambiente tóxico que existe no futebol português, a luta pelo primeiro lugar vai ser escaldante dentro e fora dos relvados, pois todos querem garantir os muitos milhões que estão em jogo.

Devido à reformulação das competições europeias de clubes para a época de 2024/25, o terceiro classificado do campeonato português entrará na segunda pré-eliminatória da Liga Europa, a segunda competição mais importante da UEFA. O quarto classificado entrará na segunda pré-eliminatória da Liga Conferência.