A Páscoa é terrível


Por isso a Páscoa é o centro do ano, o centro da vida, o centro da História. Porque a Páscoa é a vitória do amor sobre o egoísmo, o poder, a violência, o domínio da vida sobre a morte, o triunfo do bem sobre o mal, a garantia de que existe uma razão válida para existir. Depois…


Pediram-me para lhe falar da Páscoa. Tem mesmo a certeza que quer saber? Olhe que a Páscoa é terrível. Ela dá-lhe cabo da vida, desarruma-lhe as coisas, desequilibra-lhe os esquemas, transforma tudo o que sabe e quer. Por isso, a grande maioria das pessoas, mesmo as que falam na Páscoa, raramente olha para ela como é; nunca deixa que se manifeste em toda a sua violência.

Alguns consideram a Páscoa uma patranha inventada pelos padres, assim ficando imunes aos seus efeitos devastadores. Outros acreditam nela, mas tomam-na como evento antigo, fábula inspiradora, cromo devoto, acontecimento interpelante, mas realmente inócuo. Assim a Páscoa nunca chega a penetrar-lhes mesmo na vida, que permanece igual ao que sempre foi. Faz-se com a Páscoa o mesmo que com as amêndoas da quadra: reveste-se com grossa carapaça de açúcar. Continua a ter a forma de amêndoa, a chamar-se amêndoa, mas perde o sabor de amêndoa.

O protagonista da Páscoa é um alienígena, alguém que dizia não ser deste mundo (cf. Jo 18, 36). Via-se logo que Jesus não era daqui pelas coisas inauditas que dizia: «Amai os vossos inimigos» (Mt 5, 44); «Bem-aventurados os que agora tendes fome» (Lc 6, 21); «Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra» (Mt 5, 39); «Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos.» (Lc 14, 13); «Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la.» (Mt 16, 25). Já viu o perigo enorme que é viver assim?

A Páscoa é a conclusão deste homem bizarro. Uma conclusão com dois elementos, um lógico, outro explosivo. Primeiro, como era razoável, mataram-nO. Claro que o iam matar, porque Ele lhes dava cabo da vida, desarrumava as coisas, desequilibrava os esquemas, transformava tudo. Os poderosos, que sempre eliminaram os profetas, tinham de acabar com este, o mais radical.

O segundo elemento é o que dá à Páscoa o seu poder arrasador: três dias depois de O matarem, Ele voltou à vida. Esse acontecimento mudou a realidade para sempre. Por isso a Páscoa é o centro do ano, o centro da vida, o centro da História. Porque a Páscoa é a vitória do amor sobre o egoísmo, o poder, a violência, o domínio da vida sobre a morte, o triunfo do bem sobre o mal, a garantia de que existe uma razão válida para existir. Depois da Páscoa, só depois dela, realmente vale a pena viver.

O Natal é a celebração do nascimento mais influente de toda a humanidade. A Páscoa é, não a lembrança, mas
a presença da única ressurreição de toda a humanidade; que nos salva a todos. A morte foi vencida
e começou uma nova vida, uma nova humanidade.  Por isso, a Páscoa é o nascimento do mundo novo, o surgimento da verdadeira realidade, a abertura da porta do Céu.

O mundo nunca mais foi igual. Depois da Páscoa, enormes multidões deixaram que Jesus lhes desse cabo da vida, desarrumasse as coisas, desequilibrasse os esquemas, transformasse tudo. Hoje a questão coloca-se a si: tem mesmo a certeza que quer saber o que é a Páscoa?

 

Economista e católico

A Páscoa é terrível


Por isso a Páscoa é o centro do ano, o centro da vida, o centro da História. Porque a Páscoa é a vitória do amor sobre o egoísmo, o poder, a violência, o domínio da vida sobre a morte, o triunfo do bem sobre o mal, a garantia de que existe uma razão válida para existir. Depois…


Pediram-me para lhe falar da Páscoa. Tem mesmo a certeza que quer saber? Olhe que a Páscoa é terrível. Ela dá-lhe cabo da vida, desarruma-lhe as coisas, desequilibra-lhe os esquemas, transforma tudo o que sabe e quer. Por isso, a grande maioria das pessoas, mesmo as que falam na Páscoa, raramente olha para ela como é; nunca deixa que se manifeste em toda a sua violência.

Alguns consideram a Páscoa uma patranha inventada pelos padres, assim ficando imunes aos seus efeitos devastadores. Outros acreditam nela, mas tomam-na como evento antigo, fábula inspiradora, cromo devoto, acontecimento interpelante, mas realmente inócuo. Assim a Páscoa nunca chega a penetrar-lhes mesmo na vida, que permanece igual ao que sempre foi. Faz-se com a Páscoa o mesmo que com as amêndoas da quadra: reveste-se com grossa carapaça de açúcar. Continua a ter a forma de amêndoa, a chamar-se amêndoa, mas perde o sabor de amêndoa.

O protagonista da Páscoa é um alienígena, alguém que dizia não ser deste mundo (cf. Jo 18, 36). Via-se logo que Jesus não era daqui pelas coisas inauditas que dizia: «Amai os vossos inimigos» (Mt 5, 44); «Bem-aventurados os que agora tendes fome» (Lc 6, 21); «Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra» (Mt 5, 39); «Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos.» (Lc 14, 13); «Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la.» (Mt 16, 25). Já viu o perigo enorme que é viver assim?

A Páscoa é a conclusão deste homem bizarro. Uma conclusão com dois elementos, um lógico, outro explosivo. Primeiro, como era razoável, mataram-nO. Claro que o iam matar, porque Ele lhes dava cabo da vida, desarrumava as coisas, desequilibrava os esquemas, transformava tudo. Os poderosos, que sempre eliminaram os profetas, tinham de acabar com este, o mais radical.

O segundo elemento é o que dá à Páscoa o seu poder arrasador: três dias depois de O matarem, Ele voltou à vida. Esse acontecimento mudou a realidade para sempre. Por isso a Páscoa é o centro do ano, o centro da vida, o centro da História. Porque a Páscoa é a vitória do amor sobre o egoísmo, o poder, a violência, o domínio da vida sobre a morte, o triunfo do bem sobre o mal, a garantia de que existe uma razão válida para existir. Depois da Páscoa, só depois dela, realmente vale a pena viver.

O Natal é a celebração do nascimento mais influente de toda a humanidade. A Páscoa é, não a lembrança, mas
a presença da única ressurreição de toda a humanidade; que nos salva a todos. A morte foi vencida
e começou uma nova vida, uma nova humanidade.  Por isso, a Páscoa é o nascimento do mundo novo, o surgimento da verdadeira realidade, a abertura da porta do Céu.

O mundo nunca mais foi igual. Depois da Páscoa, enormes multidões deixaram que Jesus lhes desse cabo da vida, desarrumasse as coisas, desequilibrasse os esquemas, transformasse tudo. Hoje a questão coloca-se a si: tem mesmo a certeza que quer saber o que é a Páscoa?

 

Economista e católico