Guerra vai ter de se resolver na mesa das negociações


Não me parece que nem a Rússia, nem a Ucrânia tenham possibilidades de vencer de uma forma determinante e, por isso, vai ter de se resolver na mesa das negociações. Penso que os parceiros de ambos os Estados irão pressionar para que essas negociações aconteçam. O que se passa neste momento é que os parceiros…


Fomos todos verdadeiramente surpreendidos pelo espoletar da guerra, porque estávamos à espera que a Rússia fizesse uma intervenção no Donbass sobre o pretexto de apoiar as repúblicas separatistas, às quais tinha reconhecido a independência no dia 21 de fevereiro, ou seja, três dias antes, até porque esse é um dos métodos utilizados pela Rússia por entender que a desestabilização é um meio para chegar ao seu fim. A Rússia historicamente vê a Ucrânia como parte integrante do seu território e o revisionismo histórico que Vladimir Putin fez acaba por ser a leitura do que se está a passar. No entanto, a Rússia não esperava que o Ocidente e os Estados Unidos tivessem uma reação tão forte como a que tiveram. E a resposta não foi só muito forte, como também é o que tem permitido, em conjunto com a coragem, com bravura e com a liderança ucraniana manter a defesa do país. A partir daí, o discurso russo mudou um pouco e transformou-se num discurso anti-Ocidente, em que os Estados Unidos e a NATO passaram a ser vistos como os grandes mobilizadores da guerra da Ucrânia.

Não sabemos muito o que esperar daqui para a frente. Penso que há duas possibilidades para o futuro. Há a possibilidade forte de que a Rússia faça uma grande ofensiva em breve, aliás, até pode ser mais rapidamente do que imaginávamos, porque aparentemente os meios russos estarão a posicionar-se para essa ofensiva. Não sabemos até que ponto é que a Ucrânia está preparada, tendo em conta que há uma parte significativa do armamento pesado que ainda não chegou. Uma responsabilidade que do meu ponto de vista é do Ocidente, que passou muito tempo a deliberar e a decidir armar a Ucrânia da maneira que a Ucrânia achava mais conveniente.

A segunda hipótese, e que não exclui a primeira, é que a Ucrânia, em determinado momento e quando chegar esse armamento, consiga retomar a iniciativa da guerra. Tem havido fugas de informação segundo as quais os Estados Unidos estão a pressionar a Ucrânia no sentido de que a primavera pode ser a sua a oportunidade de ouro, porque embora os líderes continuem muito empenhados pode chegar o momento em que se cansem da guerra. Por isso, há uma pressão muito grande do Ocidente para a Ucrânia virar a guerra a seu favor já nesta primavera.

Provavelmente o desfecho da guerra dependerá muito do resultado destas investidas, de um lado e do outro, mas, do meu ponto de vista, vai ser negociado. Não me parece que nem a Rússia, nem a Ucrânia tenham possibilidades de vencer de uma forma determinante e, por isso, vai ter de se resolver na mesa das negociações. Penso que os parceiros de ambos os Estados irão pressionar para que essas negociações aconteçam. O que se passa neste momento é que os parceiros estão a tentar obter a posição mais favorável possível para se sentarem à mesa das negociações. Não me parece que seja já, mas acredito que esta nova ofensiva na primavera, de que tanto se fala, seja um momento decisivo no sentido de perceber de que lado é que fica a guerra e como é que os parceiros internacionais vão pressionar para que haja uma negociação.  

 

Professora universitária

Guerra vai ter de se resolver na mesa das negociações


Não me parece que nem a Rússia, nem a Ucrânia tenham possibilidades de vencer de uma forma determinante e, por isso, vai ter de se resolver na mesa das negociações. Penso que os parceiros de ambos os Estados irão pressionar para que essas negociações aconteçam. O que se passa neste momento é que os parceiros…


Fomos todos verdadeiramente surpreendidos pelo espoletar da guerra, porque estávamos à espera que a Rússia fizesse uma intervenção no Donbass sobre o pretexto de apoiar as repúblicas separatistas, às quais tinha reconhecido a independência no dia 21 de fevereiro, ou seja, três dias antes, até porque esse é um dos métodos utilizados pela Rússia por entender que a desestabilização é um meio para chegar ao seu fim. A Rússia historicamente vê a Ucrânia como parte integrante do seu território e o revisionismo histórico que Vladimir Putin fez acaba por ser a leitura do que se está a passar. No entanto, a Rússia não esperava que o Ocidente e os Estados Unidos tivessem uma reação tão forte como a que tiveram. E a resposta não foi só muito forte, como também é o que tem permitido, em conjunto com a coragem, com bravura e com a liderança ucraniana manter a defesa do país. A partir daí, o discurso russo mudou um pouco e transformou-se num discurso anti-Ocidente, em que os Estados Unidos e a NATO passaram a ser vistos como os grandes mobilizadores da guerra da Ucrânia.

Não sabemos muito o que esperar daqui para a frente. Penso que há duas possibilidades para o futuro. Há a possibilidade forte de que a Rússia faça uma grande ofensiva em breve, aliás, até pode ser mais rapidamente do que imaginávamos, porque aparentemente os meios russos estarão a posicionar-se para essa ofensiva. Não sabemos até que ponto é que a Ucrânia está preparada, tendo em conta que há uma parte significativa do armamento pesado que ainda não chegou. Uma responsabilidade que do meu ponto de vista é do Ocidente, que passou muito tempo a deliberar e a decidir armar a Ucrânia da maneira que a Ucrânia achava mais conveniente.

A segunda hipótese, e que não exclui a primeira, é que a Ucrânia, em determinado momento e quando chegar esse armamento, consiga retomar a iniciativa da guerra. Tem havido fugas de informação segundo as quais os Estados Unidos estão a pressionar a Ucrânia no sentido de que a primavera pode ser a sua a oportunidade de ouro, porque embora os líderes continuem muito empenhados pode chegar o momento em que se cansem da guerra. Por isso, há uma pressão muito grande do Ocidente para a Ucrânia virar a guerra a seu favor já nesta primavera.

Provavelmente o desfecho da guerra dependerá muito do resultado destas investidas, de um lado e do outro, mas, do meu ponto de vista, vai ser negociado. Não me parece que nem a Rússia, nem a Ucrânia tenham possibilidades de vencer de uma forma determinante e, por isso, vai ter de se resolver na mesa das negociações. Penso que os parceiros de ambos os Estados irão pressionar para que essas negociações aconteçam. O que se passa neste momento é que os parceiros estão a tentar obter a posição mais favorável possível para se sentarem à mesa das negociações. Não me parece que seja já, mas acredito que esta nova ofensiva na primavera, de que tanto se fala, seja um momento decisivo no sentido de perceber de que lado é que fica a guerra e como é que os parceiros internacionais vão pressionar para que haja uma negociação.  

 

Professora universitária