Bielorrússia confirma que formou força conjunta militar com a Rússia

Bielorrússia confirma que formou força conjunta militar com a Rússia


A formação do grupo “já começou” há pelo menos “dois dias” e tem apenas cerca de mil efetivos russos, uma vez que, nas palavras do líder bielorrusso, a Rússia “já tem problemas suficientes”.


O Presidente bielorrusso confirmou, esta segunda-feira, que a Bielorrússia e a Rússia concordaram em formar uma força militar conjunta e destacá-lo para a fronteira com a Rússia.

"Devido ao agravamento da situação nas fronteiras ocidentais da União [russo-bielorrussa], concordámos em destacar um agrupamento regional da Federação Russa e da República da Bielorrússia", disse Alexander Lukashenko, citado pela agência noticiosa estatal Belta.

No entanto, o anúncio é a única novidade, pois a formação do grupo “já começou” há pelo menos “dois dias”, afirmou Lukashenko numa reunião com os chefes militares no Centro de Gestão Estratégica do Ministério da Defesa bielorrusso.

A Rússia vai participar na força conjunta apenas com cerca de mil efetivos, uma vez que, nas palavras do líder bielorrusso, este país "já tem problemas suficientes".

"Por favor, preparem-se para acolher estas pessoas em breve e acomodá-las onde for necessário, de acordo com o nosso plano", ordenou aos responsáveis pela defesa do país.

Lukashenko e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, estiveram juntos num encontro bilateral à margem da cimeira informal da Comunidade de Estados Independentes, realizada na cidade russa de S. Petersburgo, na sexta-feira.

Nesse encontro, o líder bielorrusso foi avisado no domingo, como disse aos seus chefes militares por “canais não oficiais”, que a Ucrânia estava a preparar um ataque contra a Bielorrússia.

"Disseram-nos que seria a Ponte da Crimeia 2", afirmou, numa alusão à explosão que danificou, no sábado, a ponte que liga a Rússia à península ucraniana anexada em 2014, que Moscovo atribuiu a um ataque terrorista ucraniano.

"A minha resposta foi simples: diga ao Presidente da Ucrânia e a outras pessoas insanas, se ainda lá estiverem, que a Ponte da Crimeia será o fim da linha para eles se tocarem num único metro do nosso território com as suas mãos sujas", assinalou Lukashenko, citado pela Belta.

Para o líder, a alegada vontade da Ucrânia em abrir uma segunda frente da guerra na fronteira com a Bielorrússia é "uma loucura do ponto de vista militar", mas que o “processo já começou”.

“Estão a ser empurrados pelos seus patrões para desencadear uma guerra contra a Bielorrússia, a fim de nos atrair e lidar com a Rússia e a Bielorrússia de uma só vez", apontou.

Note-se que as declarações de Lukashenko foram divulgadas hoje, no mesmo dia em que a Rússia bombardeou várias regiões da Ucrânia, incluindo a capital, Kiev, provocando dezenas de mortos e feridos.

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