O vento da prepotência


Se a brisa entra pelas frinchas do estádio, os nomes entram-me pelas frinchas da memória. A memória incontornável de fazermos, com vontade e alegria, o melhor jornal desportivo que alguma vez existiu em Portugal. O vento da prepotência levou-o como uma simples folha de couve.


Bendita a hora. A de verão, ou lá como lhe chamam, quero dizer. Já vamos para as seis e meia da tarde e a luz é uma bênção para quem tem de escrever. Está calor no Porto, a despeito deste estádio em frinchas por onde o vento entra pelas traseiras das balizas. Para quem, como eu, detesta guiar, três horas e tal ao volante são e serão sempre uma grandessíssima estucha.Já era quando, há tantos e tantos anos, ao serviço de A Bola, todos os domingos percorríamos o país de lés a lés atrás dessa mágica senhora das paixões e formas perfeitas e redondas que é a bola.

Cada deslocação ao norte, excetuando, talvez, as idas a Chaves, metiam uma paragem, geralmente para escrever e enviar as peças, na Rua Pinto Bessa, ali à Campanhã, onde ficava a delegação do jornal no Porto. Se em Lisboa era tempo dos grandes mágicos, como Vítor Santos, o chefe, Carlos Pinhão, Carlos Miranda, Aurélio Março ou Alfredo Farinha, na Pinto Bessa éramos recebidos com o cavalheirismo de gente incomum que, apesar de toda a sua qualidade, acabava por pagar os custos da distância da capital. Não há como não dizê-lo.

O comandante, a norte, era o Álvaro Braga, cujo filho também era, ao tempo, jornalista. Mas a bondade de mestre Timóteo, o fotógrafo (o Simão tomava conta do Minho), e o seu jeito particular de contar episódios vetustos com uma candura que só lhes dava mais patina, encantava-me particularmente. Havia a aprendizagem. Também com Amândio Alves (pai do Sérgio) e com o Justino Lopes (pai do meu bom amigo Zé (outro camarada que, mais tarde reencontrei na aventura curta mas excitante de Jornada, a tentativa de se inventar um jornal desportivo semanal que só se perdeu por incapacidade de investimento).

Se a brisa entra pelas frinchas do estádio, os nomes entram-me pelas frinchas da memória. A memória incontornável de fazermos, com vontade e alegria, o melhor jornal desportivo que alguma vez existiu em Portugal. O vento da prepotência levou-o como uma simples folha de couve.

O vento da prepotência


Se a brisa entra pelas frinchas do estádio, os nomes entram-me pelas frinchas da memória. A memória incontornável de fazermos, com vontade e alegria, o melhor jornal desportivo que alguma vez existiu em Portugal. O vento da prepotência levou-o como uma simples folha de couve.


Bendita a hora. A de verão, ou lá como lhe chamam, quero dizer. Já vamos para as seis e meia da tarde e a luz é uma bênção para quem tem de escrever. Está calor no Porto, a despeito deste estádio em frinchas por onde o vento entra pelas traseiras das balizas. Para quem, como eu, detesta guiar, três horas e tal ao volante são e serão sempre uma grandessíssima estucha.Já era quando, há tantos e tantos anos, ao serviço de A Bola, todos os domingos percorríamos o país de lés a lés atrás dessa mágica senhora das paixões e formas perfeitas e redondas que é a bola.

Cada deslocação ao norte, excetuando, talvez, as idas a Chaves, metiam uma paragem, geralmente para escrever e enviar as peças, na Rua Pinto Bessa, ali à Campanhã, onde ficava a delegação do jornal no Porto. Se em Lisboa era tempo dos grandes mágicos, como Vítor Santos, o chefe, Carlos Pinhão, Carlos Miranda, Aurélio Março ou Alfredo Farinha, na Pinto Bessa éramos recebidos com o cavalheirismo de gente incomum que, apesar de toda a sua qualidade, acabava por pagar os custos da distância da capital. Não há como não dizê-lo.

O comandante, a norte, era o Álvaro Braga, cujo filho também era, ao tempo, jornalista. Mas a bondade de mestre Timóteo, o fotógrafo (o Simão tomava conta do Minho), e o seu jeito particular de contar episódios vetustos com uma candura que só lhes dava mais patina, encantava-me particularmente. Havia a aprendizagem. Também com Amândio Alves (pai do Sérgio) e com o Justino Lopes (pai do meu bom amigo Zé (outro camarada que, mais tarde reencontrei na aventura curta mas excitante de Jornada, a tentativa de se inventar um jornal desportivo semanal que só se perdeu por incapacidade de investimento).

Se a brisa entra pelas frinchas do estádio, os nomes entram-me pelas frinchas da memória. A memória incontornável de fazermos, com vontade e alegria, o melhor jornal desportivo que alguma vez existiu em Portugal. O vento da prepotência levou-o como uma simples folha de couve.