O homem que Hitler não esqueceu


A bomba que o tresloucado Elser tinha armado com tanto carinho cumpriu obedientemente a regulação a que fora sujeita e explodiu precisamente, tal como planeado, às 21h20 do dia 8 de novembro. Pelo caminho, já Hitler se tinha posto à estrada, ou melhor, à ferrovia, 13 minutos antes.


MUNIQUE – Em 1939, um jovem amargurado resolveu colocar uma bomba na Bürgerbräukeller, uma das grandes cervejarias da Bürgerliches Brauhaus, fábrica que daria mais tarde lugar à Löwenbräu. O seu nome era Johann Georg Elser, nascera em 1903, em Hermaringen no Württemberg, e tinha, ao que parece um supino jeito para desenho.

Na Alemanha estamos sempre a tropeçar em palavras que provocam luxações na língua. Como é o caso de Rotfrontkämpferbund, a Frente Vermelha de Combate, um braço do Partido Comunista ao qual Elser pertencia. No entanto, descartou os camaradas e decidiu atuar sob sua conta e risco. Iria matar Hitler.

A bomba era de construção caseira, um objeto primário, mas Johann estava orgulhoso do seu plano que passava por se esconder na Bürgerbräukeller antes desta fechar e depois passar a noite, sozinho, a escavar um buraco onde pudesse esconder o aparelho. Toda a organização da tentativa de assassinato deu com os burrinhos na água. Por causa do nevoeiro, o aeroporto de Munique fechou. Adolf tinha pressa de regressar a Berlim pelo que antecipou o seu discurso anual na Bürgerbräukeller de forma a apanhar o último comboio.

A bomba que o tresloucado Elser tinha armado com tanto carinho cumpriu obedientemente a regulação a que fora sujeita e explodiu precisamente, tal como planeado, às 21h20 do dia 8 de novembro. Pelo caminho, já Hitler se tinha posto à estrada, ou melhor, à ferrovia, 13 minutos antes.

O espetáculo não era agradável: pedaços de cadáveres e sangue por toda a parte, cerca de 70 pessoas arrastando-se  pelo chão, a gemer cravadas de estilhaços. Elser, que não era parvo, não ficou por lá a beber cervejas à coca do que viria a acontecer. 35 minutos antes da explosão foi  caçado pela polícia fronteiriça suíça em Konstanz, que desconfiara da sua ansiedade, e despachado para o campo de concentração de Dachau. Nunca mais ninguém se lembrou do desgraçado mamífero. Ninguém não é termo certo. 15 dias antes de pôr fim à existência com uma mistura de cianeto no aparelho digestivo e de balas na caixa craniana, Adolf ficou a saber que os aliados estavam à beira de libertar Dachau. Por muito atrapalhado que estivesse, não esqueceu a explosão de bílis que Johann lhe provocara seis anos antes. Era velhaco demais para permitir que Elser voltasse à liberdade, embora não passasse, na altura, de um miserável farrapo humano.

O responsável por Dachau, o Obersturmbannführer Eduard Weiter, que dava voltas ao miolo a pensar como iria dar às de Vila Diogo, viu-se confrontado com uma última e secreta missão, vinda do Führer através do Comandante-Geral da Gestapo, o SS Gruppenführer Heinrich Müller – dizia respeito ao “Prisioneiro de Segurança Especial Heller” e especificava que “devia ser liquidado sem atrair atenções” (sic). Elser estava com o cérebro tão afetado que já nem sabia quem era Hitler. Na verdade, nem sabia o seu próprio nome. Já tinha morrido por dentro de esquecimento.


O homem que Hitler não esqueceu


A bomba que o tresloucado Elser tinha armado com tanto carinho cumpriu obedientemente a regulação a que fora sujeita e explodiu precisamente, tal como planeado, às 21h20 do dia 8 de novembro. Pelo caminho, já Hitler se tinha posto à estrada, ou melhor, à ferrovia, 13 minutos antes.


MUNIQUE – Em 1939, um jovem amargurado resolveu colocar uma bomba na Bürgerbräukeller, uma das grandes cervejarias da Bürgerliches Brauhaus, fábrica que daria mais tarde lugar à Löwenbräu. O seu nome era Johann Georg Elser, nascera em 1903, em Hermaringen no Württemberg, e tinha, ao que parece um supino jeito para desenho.

Na Alemanha estamos sempre a tropeçar em palavras que provocam luxações na língua. Como é o caso de Rotfrontkämpferbund, a Frente Vermelha de Combate, um braço do Partido Comunista ao qual Elser pertencia. No entanto, descartou os camaradas e decidiu atuar sob sua conta e risco. Iria matar Hitler.

A bomba era de construção caseira, um objeto primário, mas Johann estava orgulhoso do seu plano que passava por se esconder na Bürgerbräukeller antes desta fechar e depois passar a noite, sozinho, a escavar um buraco onde pudesse esconder o aparelho. Toda a organização da tentativa de assassinato deu com os burrinhos na água. Por causa do nevoeiro, o aeroporto de Munique fechou. Adolf tinha pressa de regressar a Berlim pelo que antecipou o seu discurso anual na Bürgerbräukeller de forma a apanhar o último comboio.

A bomba que o tresloucado Elser tinha armado com tanto carinho cumpriu obedientemente a regulação a que fora sujeita e explodiu precisamente, tal como planeado, às 21h20 do dia 8 de novembro. Pelo caminho, já Hitler se tinha posto à estrada, ou melhor, à ferrovia, 13 minutos antes.

O espetáculo não era agradável: pedaços de cadáveres e sangue por toda a parte, cerca de 70 pessoas arrastando-se  pelo chão, a gemer cravadas de estilhaços. Elser, que não era parvo, não ficou por lá a beber cervejas à coca do que viria a acontecer. 35 minutos antes da explosão foi  caçado pela polícia fronteiriça suíça em Konstanz, que desconfiara da sua ansiedade, e despachado para o campo de concentração de Dachau. Nunca mais ninguém se lembrou do desgraçado mamífero. Ninguém não é termo certo. 15 dias antes de pôr fim à existência com uma mistura de cianeto no aparelho digestivo e de balas na caixa craniana, Adolf ficou a saber que os aliados estavam à beira de libertar Dachau. Por muito atrapalhado que estivesse, não esqueceu a explosão de bílis que Johann lhe provocara seis anos antes. Era velhaco demais para permitir que Elser voltasse à liberdade, embora não passasse, na altura, de um miserável farrapo humano.

O responsável por Dachau, o Obersturmbannführer Eduard Weiter, que dava voltas ao miolo a pensar como iria dar às de Vila Diogo, viu-se confrontado com uma última e secreta missão, vinda do Führer através do Comandante-Geral da Gestapo, o SS Gruppenführer Heinrich Müller – dizia respeito ao “Prisioneiro de Segurança Especial Heller” e especificava que “devia ser liquidado sem atrair atenções” (sic). Elser estava com o cérebro tão afetado que já nem sabia quem era Hitler. Na verdade, nem sabia o seu próprio nome. Já tinha morrido por dentro de esquecimento.