Reino Unido acusado de ‘contornar última milha’

Reino Unido acusado de ‘contornar última milha’


Fauci acusou o Reino Unido de apressar processo de aprovação da vacina contra a covid-19.


O principal epidemiologista americano, Anthony Fauci, teve duras palavras para o Reino Unido, acusando o país de ter apressado o processo de aprovação da vacina contra o novo coronavírus.

«Com todo respeito por muitos dos meus amigos no Reino Unido, mas eles contornaram a maratona e entraram à socapa na última milha», disse o epidemiologista à CBS News, na quinta-feira.

Entretanto, o americano retratou-se destas críticas em declarações à BBC: «Tenho muita confiança no que o Reino Unido faz, tanto cientificamente quanto do ponto de vista dos reguladores», afirmou, acrescentando que o processo americano «leva mais tempo do que no Reino Unido». «Não quis insinuar nenhum descuido», corrigiu-se.

Os primeiros

O Reino Unido tornou-se, esta semana, o primeiro país ocidental a aprovar o uso da vacina Pfizer/BioNTech contra a covid-19.

Esta notícia surge dias depois de a farmacêutica ter feito o pedido de emergência para a aprovação da comercialização da vacina.

Na quarta-feira, após «análises rigorosas», a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA na sigla inglesa) do Reino Unido aceitou que a vacina possa ser utilizada a partir da próxima semana, enquanto continua a análise para verificar se a sua eficácia global é de 95% e se, por exemplo, ela também oferece uma proteção significativa para os idosos.

«A ajuda está a caminho», prometeu o ministro britânico da Saúde, Matt Hancock, à BBC, enquanto o primeiro-ministro, Boris Johnson, apelou aos cidadãos que evitem «deixar-se levar pelo otimismo ou cair na crença ingénua de que a luta acabou».

Distribuição equitativa

Segundo o Governo britânico, «a vacina estará disponível em todo o Reino Unido a partir da próxima semana» e as primeiras doses serão administradas aos grupos prioritários, que incluem elementos do Serviço Nacional de Saúde, idosos, cuidadores de lares e doentes clinicamente vulneráveis.

A farmacêutica Pfizer fez questão de reforçar que não existirão hipóteses de pessoas mais ricas «poderem passar à frente» destes grupos prioritários para serem vacinadas.

«Posso dizer com clareza e confiança que não há planos para fornecer o setor privado num futuro previsível, em qualquer circunstância», disse Ben Osborn, gerente da Pfizer no Reino Unido, ao Financial Times. «A equidade está no centro da decisão de fornecer apenas o Sistema Nacional de Saúde britânico», acrescentou.

O Reino Unido comprou 40 milhões de doses da vacina, o que irá permitir vacinar 20 milhões de pessoas, uma vez que são necessárias duas tomas por pessoa. Falta ainda adquirir uma boa quantidade de vacinas para inocular os 66,6 milhões de habitantes do país e estima-se que até ao final do ano cheguem apenas um quarto das vacinas já compradas à Pfizer.

Entretanto, talvez já tenha sido aprovada a vacina da AstraZeneca e da Universidade de Oxford, que tem as grandes vantagens de ser mais barata que a da Pfizer, de não precisar de estar a temperaturas de – 70 ºC e de ser muito menos frágil.

É que o Governo britânico não quer que a distribuição seja feita apenas nos hospitais. As vacinas serão distribuídas em centros de vacinação massivos – montados em estádios de futebol, pistas de corridas de cavalos e centros de conferências por todo o país –, mas também em consultórios de médicos de clínica geral e até farmácias.