UEFA. E se as Ligas não terminarem? Plano B valoriza mérito desportivo

UEFA. E se as Ligas não terminarem? Plano B valoriza mérito desportivo


Organismo que tutela desporto-rei na Europa deixa recomendação para casos em que não seja possível reatar o futebol devido à pandemia: escolher os representantes nas provas europeias 2020/21 por “mérito desportivo”.


Até ontem, existia apenas um único plano. Ou pelo menos era o único apresentado e defendido pela UEFA: terminar as competições nacionais na forma tradicional era meta primordial para o organismo que tutela o futebol europeu, uma vez que apurar os campeões (bem como as descidas e subidas) era fundamental no processo de construção das provas europeias da próxima época. Nesse sentido, entre as várias medidas anunciadas destaca-se naturalmente o adiamento do Campeonato da Europa para 2021, que permitia ganhar tempo para que fossem entregues os títulos nacionais. O regresso do futebol europeu já esteve previsto para maio e junho, mas neste momento o cenário mais otimista aponta para um eventual reatamento das competições profissionais em julho – com o desfecho da Liga Europa e Champions a ser empurrado para o mês de agosto. A evolução global da pandemia de covid-19 na Europa continua a ser diariamente acompanhada pelo organismo presidido por AleksanderČCeferin – em parceria com a Associação Europeia de Clubes (ECA), Ligas Europeias (EL) e FIFPRO Europa –, e ontem já foi divulgado um plano B, a aplicar nos casos em que o quadro epidemiológico não permita o retorno do desporto-rei.

Plano B Apesar da forte recomendação para a conclusão das primeiras divisões nacionais no formato original, a UEFA admite que o reatamento das competições possa ser feito com um formato diferente, de forma a facilitar que os clubes se qualificassem com base no mérito desportivo. Contudo, e a verificar-se o pior cenário, o Comité Executivo aprovou directrizes sobre elegibilidade para as competições europeias 2020/21 para as Ligas que não forem concluídas com base em razões “legítimas” – o objetivo passa por desencadear um “procedimento de seleção de equipas que deve basear-se em princípios objetivos, transparentes e não discriminatórios”. Para a UEFA, constituem razões “legítimas” para a conclusão antecipada das competições a existência “de uma ordem oficial a proibir eventos desportivos” ou “problemas económicos intransponíveis” e que coloquem em risco “a estabilidade financeira a longo prazo da liga ou dos seus clubes”. A UEFA esclarece, contudo, que reserva ainda o direito de rejeitar as formações, que deverão ser indicadas pelas federações nacionais, se existir “uma perceção pública de injustiça na qualificação” para a Champions e a Liga Europa da próxima temporada.

Nesta reunião, ficou ainda decidido manter o nome do Euro2020, uma medida já anunciada e que serve para manter “a visão original do torneio como celebração do 60.º aniversário do Campeonato da Europa”. No comunicado ontem divulgado, o Comité Executivo desvendou que foi agendada para 27 de maio uma decisão final sobre o Europeu de sub-21, para já agendado para 2021.

Regressos tímidos Em Portugal, o Nacional (II Liga), foi o primeiro clube a regressar aos treinos, seguindo-se o Sporting, uma semana depois, no último dia 20 abril. Com regras muito apertadas, os jogadores fizeram trabalhos individuais no relvado, mantendo sempre uma distância mínima de 10 metros. As medidas de segurança recomendadas pelas autoridades sanitárias vão continuar em vigor pelo menos até às 0h00 do dia 3 de maio, altura em que termina o estado de emergência. Já na próxima segunda-feira será a vez do Sporting de Braga regressar aos treinos no relvado, após interrupção de quase um mês e meio devido ao novo coronavírus. Antes, o clube vai proceder, na sexta-feira, ao rastreio de todos os atletas e funcionários.

A forma como “alguns clubes” decidiram “unilateralmente” retomar a atividade, em “pleno período de confinamento e estado de emergência”, já foi, de resto, criticada pelo Sindicato dos Jogadores (SJ). Em comunicado enviado esta quarta-feira, a entidade presidida por Joaquim Evangelista diz não ter conhecimento de “um parecer favorável da Direção-Geral da Saúde relativamente à retoma da atividade desportiva nestas condições”.

Quanto ao regresso das competições, o SJ considera que “a época deve poder terminar”.

Entretanto, ontem, após o Conselho de Ministros, Mariana Vieira da Silva, ministra de Estado e da Presidência, revelou que as condições e o agendamento do eventual reinício das provas desportivas vão ser decididos na próxima semana.