SATA. Greve dos técnicos de manutenção acentua cenário de crise

SATA. Greve dos técnicos de manutenção acentua cenário de crise


A companhia aérea açoriana enfrentou semana negra, com cancelamentos constantes de voos.


As nuvens negras não largam a SATA Air Açores, que, desta vez, enfrenta uma greve dos técnicos de manutenção que tem afetado parte significativa das ligações interilhas nas últimas horas. Segundo os sindicatos, a adesão à greve atingiu os 100% e só vão ser realizados os voos abrangidos pelos serviços mínimos decretados pelo tribunal arbitral: 16 no sábado, 18 ontem e 22 hoje, no terceiro e último dia da paralisação.

Praticamente metade das ligações no arquipélago açoriano vão assim ser canceladas neste período, levando a empresa a acionar “um plano de contingência que permitiu reacomodar antecipadamente a maioria dos passageiros com reservas efetuadas”.

A greve de três dias, que hoje termina, foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Sintac) e pelo Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (Sitema), que exigem uma “valorização profissional” dos trabalhadores da SATA, de forma a evitar a saída crescente de funcionários para outras companhias aéreas. Este novo capítulo vem acentuar o contexto de dificuldades, encerrando uma semana em que também os problemas técnicos e as condições climatéricas obrigaram ao cancelamento de diversas ligações. Na quinta e na sexta-feira, em vésperas da greve, 12 voos foram cancelados devido à depressão Elsa. Na sexta-feira, uma avaria num avião A32 acentuou os problemas, cancelando duas ligações Lisboa/Ponta Delgada e Ponta Delgada/Porto/Ponta Delgada. No total foram afetados cerca de 2200 passageiros.

Recorde-se que a SATA, presidida por Luís Rodrigues, que assumiu o cargo em novembro, atravessa uma fase atribulada depois de as contas de 2018 terem fechado no vermelho, com prejuízos de 53,3 milhões de euros, o que representa um agravamento de 12,3 milhões em relação ao ano anterior. A empresa vai avançar com um novo concurso para privatizar 49% da Azores Airlines, após o cancelamento do primeiro.