SVP. Fundo de investimento quer comprar novas dívidas das concessionárias

SVP. Fundo de investimento quer comprar novas dívidas das concessionárias


Em cima da mesa estão as concessões da autoestrada Transmontana, Douro Interior, Algarve e Baixo Alentejo.


O fundo de investimento Strategic Value Partners (SVP Global) – que se identifica como especializado em melhorar o desempenho de investimentos em dificuldades – está em negociações para comprar as dívidas de algumas concessionárias. Ao que o i apurou, a ideia é ficar com as concessões das autoestradas Transmontana, Douro Interior, Algarve e Baixo Alentejo. O i sabe que um dos bancos com quem este fundo internacional está em negociações é o BPI.

Este interesse da SVP – classificada por muitos como “fundo abutre” – surge depois de a Infraestruturas de Portugal (IP) ter suspendido os pagamentos a três concessionárias de autoestradas, na sequência de uma decisão negativa do Tribunal de Contas sobre o contrato da Algarve Litoral que abrange a requalificação da Estrada Nacional 125.

A recusa de visto prévio à renegociação da subconcessão do Algarve foi conhecida em junho do ano passado e acabou por se arrastar a três outros contratos que os juízes deixaram passar sem se pronunciarem sobre a sua legalidade: Pinhal Interior, Baixo Alentejo e Transmontana.

Concessão na mão do fundo Este interesse por Portugal não é novo. Em janeiro deste ano, a SVP Global passou a deter a Auto Estradas Douro Litoral (AEDL) – que gere a A32, A41 e A43. Esta tinha sido concessionada à Brisa em 2007, por 27 anos, e foi alvo de um investimento na ordem dos mil milhões de euros.

Na altura, o fundo de investimento revelou que se tratava de “um ótimo ativo, com perspetivas futuras fantásticas”, acrescentando que a via iria continuar a “desempenhar um papel no desenvolvimento económico da região e tem um potencial significativo para aumentar os seus níveis de tráfego”.

A Brisa interpôs uma providência cautelar para travar a tomada de controlo dos credores da AEDL. Mas os fundos reagiram de imediato, garantindo que a providência cautelar era “uma tentativa de intimidar e frustrar os novos acionistas, de criar uma situação de litígio e de se furtar às obrigações contratuais” que foram negociadas “livremente”.

Esta guerra levou o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) a revelar que estava “a analisar as respetivas implicações jurídico-contratuais” do confronto entre acionistas e credores. No entanto, o Tribunal de Sintra acabou por rejeitar a providência cautelar avançada pela Brisa.

A SVP Global conta atualmente com oito mil milhões de dólares em ativos sob gestão.

Recorde-se que o tráfego nas autoestradas portuguesas voltou a atingir níveis recorde em 2018. À exceção de abril, em todos os meses se registaram subidas em relação a 2017. Só em dezembro circularam mais de 18 mil veículos por dia. Já nos meses de verão, o tráfego médio ultrapassou as 20 mil viaturas.