Paulo Macedo. “A Caixa não pode ser o único banco a ter de divulgar lista de devedores”

Paulo Macedo. “A Caixa não pode ser o único banco a ter de divulgar lista de devedores”


A garantia foi dada por Paulo Macedo no dia em que o banco público apresentou lucros de 68 milhões de euros no primeiro trimestre.


A Caixa Geral de Depósitos (CGD) aceita divulgar a lista de devedores se a “legislação for aprovada a Caixa”. Mas o presidente da instituição financeira, Paulo Macedo, deixou um recado: “O que a Caixa não aceita é ser discriminada negativamente, senão também os próprios clientes passariam a discriminar a CGD”, referiu durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre, registando lucros de 68 milhões de euros, uma melhoria face aos 38,6 milhões de euros de prejuízos que tinha registado em igual período do ano passado. 

Em causa está a aprovação do requerimento do PCP para divulgação dos maiores devedores à banca. Uma medida que já foi criticada tanto pelo governador do Banco de Portugal como pelo presidente da Associação Portuguesa de Bancos.  
Paulo Macedo lembrou ainda que é importante que “as regras que são impostas sejam aplicáveis em termos europeus”, acrescentando ainda que o que está a ser analisado é a “comunicação de créditos em incumprimento acima de determinado montante”. E refere que se isso se aplicar às instituições financeiras que receberam ajudas públicas, irá abranger “os grandes bancos portugueses”.

Já em relação à obrigatoriedaade de aplicar juros negativos no crédito à habitação, o responsável garantiu que o impacto será muito reduzido na Caixa. “O impacto não é muito significativo para a Caixa, impactará clientes com ‘spreads’ de menos de 0,4%, impactará os melhores clientes e não será um efeito muito significativo”, referiu. 

Comissões disparam

A margem financeira do banco público evoluiu 6% no primeiro trimestre para 183 milhões de euros, já a margem financeira consolidada do grupo desceu ligeiramente para 297 milhões (uma redução de 1%). A Caixa registou ainda uma melhoria de 9% nas comissões, atingindo os 116 milhões de euros, impulsionado, em grande parte, pelo aumento de 13,8% das comissões em Portugal para 89 milhões de euros. De acordo com a CGD, estas medidas refletem “o plano estratégico implementado em 2017”, mas Paulo Macedo afasta novas subidas. “Não iremos aumentar de novo as comissões”, afirma. Mas ainda assim, garante que a “Caixa é quem cobra as comissões mais baixas do mercado”, referiu. 

Os custos estruturais do grupo caíram 11% para 297 milhões de euros. Uma redução que foi justificada principalmente por menores custos com o pessoal: passou de 218 para 215 milhões de euros. Só nos primeiros três meses do ano saíram do banco público 250 trabalhadores. No final do março contabilizou 7521 trabalhadores. Mas manteve o mesmo número de balcões. 

As provisões e imparidades reduziram-se 88%, passando dos 108 milhões de euros constituídos no primeiro trimestre de 2017 para 13 milhões de euros entre janeiro e março deste ano