Londres. Reabilitação de Grenfell pode ter violado normas de segurança

Londres. Reabilitação de Grenfell pode ter violado normas de segurança


Ministro das Finanças diz que o novo revestimento do prédio é proibido no Reino Unido. Oposição alerta para o risco de encobrimento e pede celeridade nas investigações


Na capital britânica continuam a amontoar-se as dúvidas em torno das origens do incêndio monstruoso que consumiu uma torre residencial de 24 andares e matou pelo menos 58 pessoas – as autoridades acreditam que este número ainda venha a aumentar nos próximos dias – na passada quarta-feira, em North Kensington. E enquanto prosseguem as investigações das várias entidades públicas com autoridade na matéria, a frustração dos sobreviventes e vizinhos desalojados da Grenfell Tower tem sido descarregada sobre o governo de Theresa May e, de forma mais palpável, sobre o council de Kensington e Chelsea que, de acordo com os testemunhos dos residentes daquela zona de Londres, tem proporcionado “pouca ou nenhuma informação e apoio”.

Esta realidade foi confirmada pela própria primeira-ministra britânica que, depois de se reunir com alguns sobreviventes da tragédia, no sábado, confessou que o apoio às vítimas não tem sido o mais apropriado. Nesse sentido, ordenou o reforço do council em questão com funcionários do governo, que ajudarão os voluntários na transmissão de informação sobre os próximos passos e fornecerão os desenvolvimentos possíveis das investigações.

Entretanto, o inquérito público ordenado por May, assim como as investigações dos bombeiros e da Polícia Metropolitana de Londres, está cada vez mais focado nas recentes obras de reabilitação do edifício – terminadas em 2016 -, nomeadamente na avaliação da decisão, por parte da empresa que gere a administração do mesmo, de revestir a torre com um tipo de alumínio composto por polietileno, um plástico altamente inflamável.

Este domingo de manhã, em entrevista à BBC, o ministro das Finanças sugeriu mesmo que podem ter sido violadas normas elementares de segurança aquando da reabilitação da Grenfell Tower. “O meu entendimento é o de que este revestimento inflamável é proibido na Europa, nos EUA e também aqui”, revelou Philip Hammond, garantindo que o inquérito público vai olhar com atenção para a atuação da empresa responsável pela reabilitação.

Do lado da oposição, defende-se a necessidade proteger todos os documentos relacionados com a dita reabilitação. Citado pelo “Guardian”, o deputado trabalhista David Lammy apela à atuação rápida das autoridades, “para garantir que emails, atas de reuniões, correspondência com contratantes, avaliações de segurança, especificações e relatórios não são destruídos”. Refere o representante do bairro londrino de Tottenham que a ausência de explicações sobre o incêndio está a “aumentar as suspeitas de encobrimento” entre os moradores.