Legalização da prostituição


Acredito que não deva ser nada fácil para ninguém “dar o corpo ao manifesto”. 


É desde sempre um dos temas mais fraturantes da nossa sociedade e, seguramente, a área mais polémica da noite. Como dizia alguém no outro dia: “2016, ano em que duas instituições de referência fecharam em Portugal: a Cornucópia, onde toda a gente ia e estava sempre vazia, e o Elefante Branco, onde ninguém ia e estava sempre cheio…” Fomos legalizando (e muito bem) outros temas fraturantes como a homossexualidade, arranjando uma nova definição legal que protegesse mais os animais, criando espaços para que a interrupção voluntária da gravidez fosse possível em determinadas circunstâncias, e continuamos a fechar os olhos à “profissão mais antiga do mundo”.

Acredito que não deva ser nada fácil para ninguém “dar o corpo ao manifesto”. Parto, aliás, desse princípio, que terá as suas exceções, que confirmam qualquer regra, talvez nas ninfomaníacas ou em casos de problemas sérios de integração na sociedade, como demonstra na perfeição o conhecido filme brasileiro “Bruna Surfistinha”. Deve ser já de si humilhante e desgastante, tanto a nível físico como psicológico, ter de assumir esse papel e sair de casa todos os dias sabendo o que se tem pela frente para ter dinheiro para sustentar, por vezes, filhos e famílias inteiras com dificuldades económicas graves, quanto mais verem-se incluídas num “mundo” onde tudo o que é mau lhes passa à frente. Desde pessoas sem escrúpulos, emigração ilegal, armas e droga, tráfico de influências, abusos de confiança, chantagem e muitas outras.

O próprio filme “Pretty Woman”, no princípio dos anos 90, retrata fielmente toda a envolvência de um negócio quase sem lei, sem princípios, higiene ou impostos, uma “indústria” que gera milhões e milhões um pouco por todo o mundo. Basta ver os destinos de turismo sexual como são a Tailândia e todos os países asiáticos circundantes, bem como alguns sul-americanos, e a diferença entre estes e os países que têm regras a este respeito como os Países Baixos, a Alemanha ou a Suíça. De facto, não é um tema fácil nem agradável para ninguém, mas acho preferível enfrentá-lo de frente e encará–lo como realidade do que assobiar para o ar e fingir que não existe.

Há todo um mundo de higiene e segurança por trabalhar nestes casos. Não se trata de apagar o estigma, que continuará, mas sim de proteger quem vive com quem vai e não o revela (e que são muitos mais do que se imagina), de eliminar acima de tudo a prostituição infantil, protegendo desta forma as menores que, muitas vezes, são obrigadas a fazer este tipo de trabalhos, e de combater de uma forma clara e assertiva todo um mundo paralelo obscuro e perigoso que gravita à volta do negócio. E também, e porque não, fazer entrar nos depauperados cofres do Estado os impostos de milhares de prostitutas, quase todas cidadãs estrangeiras e que aqui amealham dinheiro suficiente para a sua reforma e o enviam para os seus países de origem, sem que ganhemos alguma coisa com isso.

A quantidade de plataformas, aplicações e anúncios nos jornais, mas sobretudo na internet, mostra-nos as várias ramificações que este negócio está a criar. Sou, por isso, a favor da legalização, e acho que o tema devia voltar ao debate público. Sítios definidos, com regras rígidas e restritivas, consultas de higiene e saúde rigorosas e o controlo de um negócio quer ao nível da segurança, quer do dinheiro que circula nesses meios. 

Legalização da prostituição


Acredito que não deva ser nada fácil para ninguém “dar o corpo ao manifesto”. 


É desde sempre um dos temas mais fraturantes da nossa sociedade e, seguramente, a área mais polémica da noite. Como dizia alguém no outro dia: “2016, ano em que duas instituições de referência fecharam em Portugal: a Cornucópia, onde toda a gente ia e estava sempre vazia, e o Elefante Branco, onde ninguém ia e estava sempre cheio…” Fomos legalizando (e muito bem) outros temas fraturantes como a homossexualidade, arranjando uma nova definição legal que protegesse mais os animais, criando espaços para que a interrupção voluntária da gravidez fosse possível em determinadas circunstâncias, e continuamos a fechar os olhos à “profissão mais antiga do mundo”.

Acredito que não deva ser nada fácil para ninguém “dar o corpo ao manifesto”. Parto, aliás, desse princípio, que terá as suas exceções, que confirmam qualquer regra, talvez nas ninfomaníacas ou em casos de problemas sérios de integração na sociedade, como demonstra na perfeição o conhecido filme brasileiro “Bruna Surfistinha”. Deve ser já de si humilhante e desgastante, tanto a nível físico como psicológico, ter de assumir esse papel e sair de casa todos os dias sabendo o que se tem pela frente para ter dinheiro para sustentar, por vezes, filhos e famílias inteiras com dificuldades económicas graves, quanto mais verem-se incluídas num “mundo” onde tudo o que é mau lhes passa à frente. Desde pessoas sem escrúpulos, emigração ilegal, armas e droga, tráfico de influências, abusos de confiança, chantagem e muitas outras.

O próprio filme “Pretty Woman”, no princípio dos anos 90, retrata fielmente toda a envolvência de um negócio quase sem lei, sem princípios, higiene ou impostos, uma “indústria” que gera milhões e milhões um pouco por todo o mundo. Basta ver os destinos de turismo sexual como são a Tailândia e todos os países asiáticos circundantes, bem como alguns sul-americanos, e a diferença entre estes e os países que têm regras a este respeito como os Países Baixos, a Alemanha ou a Suíça. De facto, não é um tema fácil nem agradável para ninguém, mas acho preferível enfrentá-lo de frente e encará–lo como realidade do que assobiar para o ar e fingir que não existe.

Há todo um mundo de higiene e segurança por trabalhar nestes casos. Não se trata de apagar o estigma, que continuará, mas sim de proteger quem vive com quem vai e não o revela (e que são muitos mais do que se imagina), de eliminar acima de tudo a prostituição infantil, protegendo desta forma as menores que, muitas vezes, são obrigadas a fazer este tipo de trabalhos, e de combater de uma forma clara e assertiva todo um mundo paralelo obscuro e perigoso que gravita à volta do negócio. E também, e porque não, fazer entrar nos depauperados cofres do Estado os impostos de milhares de prostitutas, quase todas cidadãs estrangeiras e que aqui amealham dinheiro suficiente para a sua reforma e o enviam para os seus países de origem, sem que ganhemos alguma coisa com isso.

A quantidade de plataformas, aplicações e anúncios nos jornais, mas sobretudo na internet, mostra-nos as várias ramificações que este negócio está a criar. Sou, por isso, a favor da legalização, e acho que o tema devia voltar ao debate público. Sítios definidos, com regras rígidas e restritivas, consultas de higiene e saúde rigorosas e o controlo de um negócio quer ao nível da segurança, quer do dinheiro que circula nesses meios.