Pesticida potencialmente cancerígeno utilizado em pelo menos 89 autarquias

Pesticida potencialmente cancerígeno utilizado em pelo menos 89 autarquias


Pelo menos 89 autarquias utilizam glifosato, um pesticida que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como potencialmente cancerígeno.


Estes são dados do Bloco de Esquerda, que inquiriu 308 câmaras sobre o uso deste herbicida, lê-se no Diário de Notícias. Das 107 que responderam, 89 adiantaram utilizar pesticidas à base de glifosato, sendo que as autarquias que mais utilizam são Gondomar (4000 litros por ano), Matosinhos (2800), Évora (2500), Ferreira do Zêzere (2420), Portimão (1800), Elvas e Cuba (1000).

Este produto é usado não só para matar ervas daninhas em locais como jardins, cemitérios, passeios e estradas, mas também para preparar terrenos para cultivo.

É um dos pesticidas mais utilizados em Portugal. À venda em supermercado, em 2014, foram vendidas cerca de 1600 toneladas.

"Se 80% das câmaras que responderam disseram usar, se aplicarmos a proporção às que não responderam, a situação é mais preocupante. É um produto muito barato, e com a crise e restrições na contratação, estão a substituir trabalho por veneno", afirmou Jorge Costa, deputado do BE.

Só este ano é que o Ministério da Agricultura vai incluir o glifosato na lista de substâncias a pesquisar. Ainda assim, só serão feitas análises em sementes de centeio.

O ministério mostra-se ainda favorável à renovação da licença de uso deste pesticida na Europa, que termina a 30 de junho, e que vai a votos na Comissão Europeia no próximo dia 18.

“Em Portugal o glifosato não consta da lista de substâncias obrigatórias a analisar na água e nos alimentos e, ao contrário do que há em França, não encontramos qualquer limitação ao seu uso", explicou Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora.

Foi precisamente esta plataforma que analisou a urina de 26 voluntários portugueses. Segundo a RTP, os resultados demonstraram valores elevados deste herbicida na urina. “O maior estudo sobre o glifosato foi feito na Alemanha em 2015. O pior resultado alemão é três vezes menor que o melhor resultado português. A situação é grave”, acrescenta.