Jerónimo defende Costa e chama atrevido a Passos

Jerónimo defende Costa e chama atrevido a Passos


Jerónimo esteve no Porto e falou de cultura, teve uma boa recepção em Gondomar e aproveitou para aconselhar Passos a “não meter o bedelho aonde não é chamado”.


No arranque para a última semana de campanha, Jerónimo de Sousa esteve no Porto e falou de cultura, teve uma boa recepção em Gondomar, criticou a Comissão Europeia e aproveitou para, em defesa de António Costa, dizer que Passos Coelho “não devia meter o bedelho aonde não é chamado”. 

A cultura foi o tema de abertura da semana de campanha no Porto. Jerónimo de Sousa foi à cooperativa Árvore para falar de cultura e receber apoio de gente das artes e das letras, presentes e ausentes. Foi o caso de Siza Vieira que enviou uma mensagem manifestando o seu apoio à CDU. Na cultura, o líder comunista criticou aquilo a que chama “compressão dos níveis de autonomia relativa do trabalho intelectual e uma forte pressão para a instrumentalização dos intelectuais”, caracterizando a situação portuguesa por ter “um espaço público que é praticamente ocupado por um coro de voz única” e a ideia da “inexistência de alternativas”.

Jerónimo defendeu as funções culturais do Estado, ”bem expressas na escandalosa cifra de 0,1% dedicado à cultura”. “Nos últimos cinco anos o apoio às artes perdeu 75% do seu orçamento no plano da administração central”, referiu Jerónimo, lembrando ainda a destruição “das estruturas públicas de apoio à actividade cultural” e a precariedade do trabalho artístico. O líder comunista acusou a Fundação para a Ciência e Tecnologia de se “distinguir pela sua actuação autocrática” e defende para a Cultura um aumento das dotações orçamentais na ordem dos 1% do Orçamento de Estado (OE), mas com uma evolução que se traduza, no final da legislatura numa dotação de 1% do Produto Interno Bruto.

AGENDA ESCONDIDA Confrontado com o relatório da Comissão Europeia que defende existir uma margem para aumento de imposto ao consumo, considerando o risco das contas públicas portuguesas a médio prazo, Jerónimo de Sousa considera que, afinal, nem tudo vai bem: “Eles têm estado muito contidos, porque não querem mostrar aos portugueses aquilo que no essencial nós temos vindo a afirmar. Ao contrário do que a coligação governamental vem dizendo a situação não está resolvida, o futuro não é risonho”. Na opinião do líder comunista, PSD e CDS têm uma “carteira de medidas e decisões que por razões tácticas ainda não vão anunciando”. Sobre um eventual aumento de impostos ao consumo, Jerónimo considera-o “injusto” porque “tanto paga o rico no plano do consumo como paga o pobre. É mais uma forma de empobrecer quem trabalha”. 

Antes da partida para uma arruada muito concorrida em Gondomar, uma iniciativa inédita neste concelho, Jerónimo foi confrontado com declarações de Passos Coelho que convidavam António Costa a demitir-se se perder as eleições porque tinha deposto o seu antecessor António José Seguro. E Jerónimo respondeu: “Não me cabe a mim ser juiz defensor do PS, mas acho que é um atrevimento que Passos Coelho esteja a meter o bedelho aonde não é chamado. Não tem jeito nenhum, não me quero pronunciar mais sobre isso”.