Federação de cicloturismo contra seguro obrigatório para utilizadores de bicicleta

Federação de cicloturismo contra seguro obrigatório para utilizadores de bicicleta


“A bicicleta não polui, não ocupa espaço público, não provoca ruído, não contribui para as importações de petróleo”, justifica a federação.


A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta (FPCUB) insurgiu-se esta quinta-feira contra a criação do seguro obrigatório para os utilizadores de bicicleta, alegando que favorece os interesses da indústria automóvel, petrolífera e as seguradoras.

"Apenas o interesse financeiro da indústria automóvel, seguradoras, petrolíferas têm ganhos directos com este criativo malabarismo de obrigar os utilizadores de bicicleta a terem seguro obrigatório", diz a FPCUB, em comunicado.

A FPCUB observa que "já percebeu que existe um lobby na área do automóvel que a todo o custo pretende criar obstáculos para que as pessoas livremente possam usar bicicleta como andam a pé" e que o Automóvel Clube de Portugal (ACP) e a Associação Portuguesa de Seguros (APS) são a face visível deste interesse, que pretendem iludir a classe política, criando uma "necessidade artificial".

A Federação lembra que se verificaram alterações recentes ao código da estrada que "trouxeram melhorias significativas para a segurança dos utilizadores de bicicleta, sendo um importante passo para o reconhecimento da bicicleta na via pública, mas que não se pode afirmar que a bicicleta, por ser equiparada ao automóvel no Código da Estrada em grande parte das situações, deva ter os mesmos deveres que tem o automóvel".

"A bicicleta não polui, não ocupa espaço público, não provoca ruído, não contribui para as importações de petróleo que têm um grande peso negativo na balança económica, nem necessita de infra-estruturas como as auto-estradas que foram construídas desenfreadamente nas últimas décadas, cuja factura ainda estamos a pagar, logo não se pode pedir as mesmas obrigações", salienta.

Assim, a FPCUB entende que a aplicação de medidas tem de ser proporcional ao risco gerado pelos diversos utilizadores viários, o qual é "incomparavelmente maior" no caso dos veículos motorizados.

"É precisamente por esse risco ser incomparavelmente maior que a obrigação de seguro é apenas aplicada aos veículos motorizados", acrescenta.

Segundo a Federação, numa época em que é necessário apostar e incentivar a mobilidade suave e os transportes públicos em detrimento do automóvel, não se pode colocar mais um obstáculo à utilização da bicicleta ou ao início de utilização da bicicleta com a implementação de um seguro de carácter obrigatório.

A Federação refere que a utilização da bicicleta em mobilidade urbana é elemento essencial de uma estratégia alargada de segurança rodoviária e de acalmia de tráfego proporcionando a redução de acidentes.

Apesar de ser contra a obrigatoriedade do seguro para utilizadores de bicicleta, a FPCUBoferece aos seus associados, incluído na quota anual, um seguro de responsabilidade civil e de acidentes pessoais sempre que usa a bicicleta, entre outros benefícios.

Lusa