A Amnistia Internacional defendeu esta quarta-feira que é preciso "reescrever e repensar as políticas e práticas de asilo" na Europa porque deixam os refugiados perante uma "escolha impossível", nas vésperas de uma reunião sobre o tema em Viena.
"Muitos dos refugiados que chegam à Grécia, dada a limitação de acesso a ajuda médica ou humanitária em instalações a abarrotar, seguem o caminho através da Macedónia e da Sérvia, voltando a entrar na União Europeia na Hungria", disse a directora-adjunta da AI para a Europa e Ásia, Gauri van Gulik, num comunicado divulgado esta quarta-feira a propósito de uma das piores ondas de migração na Europa.
"Ao chegarem à Europa, os refugiados têm de escolher entre solicitar asilo no país de chegada, no caso da Grécia em condições abomináveis, ou viajar para mais longe, embarcando de novo numa viagem perigosa".
Lamentando os "obstáculos" com que estas pessoas são confrontadas nesta travessia, assim como a "incapacidade" da Sérvia e da Macedónia para fazer face a este fluxo de refugiados que atravessam "forçosamente" o seu território para não ficarem na Grécia, a AI denunciou também "o escasso apoio" da União Europeia a estes países extracomunitários.
A organização criticou algumas das iniciativas tomadas por esses países nas últimas semanas, incluindo a construção de um muro com 175 quilómetros de comprimento na fronteira da Hungria com a Sérvia, a utilização de gás lacrimogéneo contra os refugiados e a utilização pelas autoridades da Macedónia de armas de fogo para prevenir a entrada de imigrantes no país.
"O aumento da chegada de refugiados não exime os países da rota dos Balcãs das suas obrigações legais", concluiu a AI.
Lusa