Schulz. “A Grécia não deve ser humilhada”

Schulz. “A Grécia não deve ser humilhada”


Presidente do Parlamento Europeu urge líderes a tomar decisões em relação à Grécia. Proposta de saída da Grécia durante cinco anos foi mesmo apresentada.


Martin Schulz deu uma conferência de imprensa esta tarde, sublinhou o facto de a Europa se encontrar numa encruzilhada, e instou os responsáveis a tomar uma decisão esta noite. "Deve haver uma decisão esta noite, e eu espero que seja uma decisão positiva", afirmou aos jornalistas.

O presidente do Parlamento Europeu repetiu que a Europa "está em risco", numa altura em que os chefes de Estado e de governo da zona euro se reúnem para discutir o caso de Atenas.

"Estamos numa verdadeira encruzilha. Vamos remar todos no mesmo sentido, em espírito de unidade ou vamos começar a desmoronar", questionou o responsável. "É precisamente isso que está em discussão".

Schulz afirmou ainda que "para a maioria dos colegas no Parlamento Europeu, a saída da Grécia do euro não é uma opção. Nem uma saída temporária é uma opção", salientou Schulz, referindo-se à proposta que este Sábado surgiu por parte da Alemanha para retirar a Grécia do euro durante cinco anos. "Não me lembro de, em todos os meus anos de política europeia, alguma termos atravessado uma situação como esta. É preciso, efectivamente, tomar uma decisão sobre a União Europeia", afirmou ainda Schulz, num domingo considerado decisivo para Atenas.

"Porque a Europa não será a Europa sem a Grécia, e o lugar da Grécia é no coração da Europa. Um Grexit seria uma 'lose-lose situation' para todos, com consequências imprevisíveis, provavelmente catastróficas".

O presidente do Parlamento Europeu afirmou ainda veementemente que no decorrer deste processo "nem a Grécia nem os gregos devem ser humilhados". Na mesma ocasião, o responsável admitiu que foi apanhado de surpresa pelas proposta do governo do Syriza. "Surpreendeu-me e aos meus colegas que as propostas de [Juncker] tivessem sido recusadas [por Atenas], e depois colocadas em cima da mesa [após o referendo de domingo]. Esta tem sido, aliás, uma das razões apontadas por alguns líderes para não conseguirem confiar a 100% no Governo de Alexis Tsipras. Já ao início da tarde de Domingo, a chanceler alemã afirmou que "a moeda mais importante" já tinha sido perdida, na relação com a Grécia. "Essa moeda é a confiança", afirmou na ocasião.

E terminou com um apelo ao primeiro-ministro grego. "Negoceie com um verdadeiro espírito europeu, esteja pronto para ouvir o outro lado, e para acreditar que as reformas que são pedidas à Grécia são para o próprio bem do país. Para todos vós [líderes europeus]: as vossas atitudes nas próximas horas podem determinar a Europa de amanhã. Não se esqueçam disso!"