Merkel. Perdão clássico da dívida grega “está fora de questão”

Merkel. Perdão clássico da dívida grega “está fora de questão”


A chanceler alemã ainda não excluiu o prolongamento das maturidades ou a redução da taxa de juro.


Angela Merkel voltou a excluir, esta quinta-feira,  9 de Julho, um "perdão clássico da dívida" grega. Durante uma visita à Bosnia, a responsável relembrou que "em 2012 lidámos com a questão da sustentabilidade da dívida. Alargámos as maturidades, permitimos que o reembolso ao Fundo Europeu de Estabilidade fosse feito até 2020. Não estamos a lidar com a questão da sustentabilidade da Grécia pela primeira vez".

A chanceler alemã repetiu, por isso que "um perdão da dívida clássico está fora de questão". As palavras de Merkel chegam numa altura em que a voz dos EUA começa a tornar-se mais audível deste lado do oceano, com o secretário do Tesouro, Jack Lew a secundar as estimativas do Fundo Monetário Internacional: a dívida grega é insustentável, e só fazendo algo em relação a isso será possível colocar a economia grega novamente a crescer.

O próprio presidente Barack Obama tem estado a acompanhar de perto a questão grega, tendo mesmo já falado com o primeiro-ministro helénico, Alexis Tsipras pedindo que Atenas chegue a acordo com a Europa. A proximidade da Grécia de Putin não é vista com descanso por parte das autoridades norte-americanas, que antecipam vários problemas geopolítico no caso de se confirmar o pior dos cenários, com a Grécia a abandonar a União Europeia.

Atenas pediu ontem, oficialmente, um resgate financeiro ao Mecanismo Europeu de Estabilidade, e espera-se que até ao final do dia de hoje entregue propostas objectivas para serem analisadas pelo Eurogrupo. A Grécia continua a correr contra o tempo, com o dia 20 de Julho a ensombrar o horizonte: nessa altura, chegam à maturidades 3.500 milhões de euros que têm que ser reembolsados ao BCE. Atenas já falhou o pagamento de 1.600 milhões de euros ao FMI, no final de Junho, e entretanto pode começar a falhar também as obrigações internas, por falta de liquidez.