Podia ser mais um dia decisivo. Mas não é, uma vez que a Grécia está a ter dias decisivos desde Fevereiro. O tempo continua a correr e dia 20 é a próxima data importante: acaba o prazo para o pagamento de 3,5 mil milhões de euros ao Banco Central Europeu.
Para que lado pende a balança sobre um acordo com os credores? Não se sabe muito bem. De um lado há líderes como Vladir Dombrovskis, comissário para o euro, e Pierre Moscovici, comissário para os assuntos monetários, que afirmam que uma saída da Grécia do euro não pode ser excluída, e que não estão propriamente animados com a ideia de um perdão da dívida, ainda que parcial.
O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, continua a dizer que é preciso haver em cima da mesa uma proposta credível por parte do governo do Syriza, enquanto o vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, volta a engrossar a voz e a dizer que é um erro manter o país dentro da zona euro.
O ministro irlandês das finanças, Michael Noonan, tem um discurso um pouco mais sereno, e embora não acredite que haja um acordo final hoje, no Eurogrupo que acontece em Bruxelas agora, espera que seja possível um entendimento. Depois há Alexander Stubb, o ministro das finanças finlandês, que garante que os líderes não estão “à procura de um Grexit” e que vão “manter as portas abertas à negociação”. Mas avisa que não está a ser pensada “uma renegociação da dívida. Isso foi feito em 2006/2007”, recorda.
Este será, possivelmente, um dos pontos mais complicados de negociar, uma vez que a Grécia agora tem mais do que as suas contas. Um estudo elaborado pelo Fundo Monetário Internacional, e que foi revelado na semana passada, dava conta de que a Grécia precisava de um perdão da dívida e de 53 mil milhões de euros nas próximas décadas de forma a conseguir voltar a equilibrar a economia. Isto porque muita da liquidez do Estado tem sido usado somente para pagar juros dos empréstimos e tranches desses mesmos empréstimos.
Luis de Guindos, o ministro espanhol – que pode suceder a Dijsselbloem – garante, por seu lado, que os bancos gregos permanecerão fechados nos próximos dias, mas que um Grexit não “é uma solução que alguém queira”.
O Eurogrupo está reunido em Bruxelas desde as 12 horas [de Lisboa], num encontro de emergência marcado por Dijsselbloem na semana passada. Ao final do dia de hoje reúnem os chefes de Estado e de Governo, numa Cimeira de emergência também em Bruxelas.
Fábricas fechadas
Na Grécia já há várias fábricas que estão a fechar portas e a pedir aos trabalhadores que tirem férias, numa altura em que o controlo de capitais está a impedir os empresários de obter mais matérias-primas. Uma situação que se pode agravar, mesmo com a manutenção da linha de liquidez de emergência por parte do BCE – decidida ontem, dia 6 de Julho. A instituição liderada por Mario Draghi reduziu, no entanto, o valor dos colaterais dos bancos, o que obriga a mais elevadas garantias. Que é como quem diz, considera mais elevado o risco do país.