Tsakalotos. Quem é o sucessor de Varoufakis?

Tsakalotos. Quem é o sucessor de Varoufakis?


Membro do Syriza há quase dez anos, o actual coordenador do grupo que negoceia com os credores é o novo ministro das Finanças grego. Economista toma posse ainda esta segunda-feira, às 18h.


Euclid Tsakalotos tem 55 anos, estudou em Oxford, tem um inglês absolutamente perfeito e segue uma linha económica marxista, tal como Varoufakis. Apontado como o óbvio sucessor de Yanis Varoufakis – a decisão do governo helénico será anunciada no fim da reunião que está a acontecer entre os líderes gregos -, Tsakalotos bateu de frente com o combativo economista várias vezes. Uma delas foi bastante noticiada: o coordernador das negociações acusou o então ministro das Finanças grego de ser um "jogador", após uma reunião com credores.

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Opõe-se à saída da Grécia da zona euro – "o caminho nacionalista parece ter falhado. Precisamos de um sabor internacional em quaisquer alternativas", afirmou no ano passado – e foi desde o anúncio de Varoufakis de que deixaria o governo, na manhã desta segunda-feira, apontado como a melhor hipótese do Syriza para continuar a negociar com as autoridades internacionais.

Não porque seja um moderado, em termos ideológicos, mas porque é um homem sereno, cujo background é muito mais parecido com o dos tecnocratas da Europa, o que poderá jogar a seu favor: nasceu em Roterdão, licenciou-se em política, filosofia e economia e acabaria por fazer um PhD em economia, em Oxford.

Fala um inglês fluente, com sotaque britânico, e sabe mexer-se nos corredores do poder. É apontado por muitos como sendo o "cérebro" por detrás do programa económico do Syriza, e não deixa de afirmar, tal como fazia Varoufakis, que o problema da Grécia não é "uma economia em crise" mas "a crise da democraia" na zona euro.

A tomada de posse está marcada para as 18h desta segunda-feira, o que significa que amanhã, dia 7, será já Tsakalotos a representar o país no Eurogrupo convocado de emergência para analisar a situação na Grécia.

Varoufakis apresentou a demissão esta madrugada, tendo tevelado a informação no seu blogue pessoal. O economista surpreendeu assim a Europa, que esperava uma resginação apenas em caso de vitória do 'sim' no referendo deste Domingo, dia 5 de Julho. Varoufakis garante, no entanto, que arcará "com orgulho", o "ódio" dos credores, e que se afasta para faciltiar as negociações entre o Eurogrupo e o governo de Tsipras.