Michelle Brito. Acordem-na só para jogar contra as estrelas

Michelle Brito. Acordem-na só para jogar contra as estrelas


Chegou ao seu melhor nível em 2009, apenas com 16 anos. Agora é uma tenista mediana com um enorme talento para os grandes jogos.


Michelle Larcher de Brito surpreendeu o mundo ao vencer, na segunda-feira, a número sete do ranking WTA, Ana Ivanovic. Não estava nada de relevante em jogo, apenas a passagem aos oitavos-de–final do Aegon Classic Birmingham, um Premier 500. Mas esta não foi a vitória mais impressionante da carreira da tenista portuguesa, que a 24 de Junho de 2013 se estreou a derrotar outra tenista do top 10. Nessa altura, a vítima foi Maria Sharapova, número três do mundo, em plena segunda ronda do torneio de Wimbledon. Em ambos os casos, Michelle Brito vinha do qualifying e não constava nos 130 primeiros lugares do ranking WTA. Actualmente é a 135.ª.

A carreira da melhor tenista portuguesa já é longa, embora Michelle tenha apenas 22 anos. A sua estreia como profissional deu-se em Fevereiro de 2007, quando tinha acabado de fazer 14 anos. Por essa altura era considerada uma das maiores promessas do ténis feminino, e a mudança precoce para os Estados Unidos, aos nove anos e por causa do ténis, parecia estar prestes dar frutos. Mas não seria bem assim.

Desde 2013 que Michelle Brito não marca presença nos 100 primeiros lugares do ranking WTA

Ao fim de mais de oito anos de carreira, Michelle ainda não foi capaz de somar qualquer título do WTA. Nos Grand Slams nunca passou da terceira ronda, uma fase que alcançou por três vezes, duas em Wimbledon e uma em Roland Garros, ainda em 2009, na altura com 16 anos. Foi precisamente com essa idade e nesse ano que atingiu o seu pico no ranking, ao alcançar a 76.a posição, em Julho. Foi a primeira vez em dois exemplos. Em Agosto desse ano, Michelle desapareceu do top 100, onde só voltaria em Setembro de 2013.  

Nos últimos dois anos, depois de soprar as duas dezenas de velas, Michelle estagnou, sem dar grandes saltos ou quedas no ranking. A tenista portuguesa soma 371 encontros como profissional em que venceu 205 vezes, ou seja, 55% dos jogos. O que causa mais estranheza no percurso de Michelle é a sua capacidade para vencer muitos jogos de elevado grau de dificuldade. Contra tenistas de top 10, a portuguesa venceu por duas vezes em seis ocasiões (33%). No caso dos encontros contra o top 20, Michelle tem cinco vitórias e nove derrotas (36%). Este registo, por exemplo, supera o que a portuguesa tem contra top 50, com 12 vitórias e 22 derrotas (35%).

Alargando até ao top 100 onde, em teoria, o grau de dificuldade dos encontros desce bastante, Michelle venceu apenas 34 vezes, somando 54 derrotas (39%). Estes resultados indicam que Michelle é uma tenista para os grandes encontros, destinada a poder vencer quando as probabilidades não estão a seu favor.

Michelle vence mais jogos contra tenistas com um ranking inferior, mas a diferença não é assim tão grande. São 140 vitórias e 81 derrotas (63%) frente a tenistas com uma classificação inferior, e 58 vitórias e 79 derrotas (42%) contra jogadoras com melhor ranking do que a portuguesa. Tendo em conta que Michelle chegou a estar fora do top 150 durante mais de um ano e meio, é surpreendente que a sua percentagem de vitórias contra tenistas com um ranking melhor não seja muito diferente daquela que tem frente às de top 20.

Outra curiosidade é o desempenho de Michelle contra tenistas de diferentes idades. A portuguesa vence mais jogos do que perde contra qualquer tipo de faixa etária – sub-21, sub-23, 28 ou mais, 30 ou mais, e mais velhas –, excepto contra tenistas mais novas. Este facto assume contornos mais surreais se nos lembrarmos que Michelle tem apenas 22 anos e já está no circuito profissional há mais de oito, tendo começado como uma estrela em ascensão. Sendo assim, como é possível ter um registo negativo, de 29-31 (48%), contra tenistas mais novas? Michelle tem pouca explicação e, depois de vencer Ivanovic em Birmingham, acabou por não resistir a Daniela Hantuchová, uma tenista eslovaca de 32 anos.