Portugal. Vai-te catar, ó Ivo

Portugal. Vai-te catar, ó Ivo


Ivo Rodrigues antecipa Volta a Portugal em bicicleta com um pontapé sensacional.


Dois jogos, duas vitórias e 7-0 em golos (ao 3-0 vs. Senegal junta-se o 4-0 aoQatar). Aí está o melhor registo de sempre da selecção nacional em Mundiais sub-20 – superior até ao arranque das gerações campeãs em 1989 (duplo 1-0 vs. Nigéria e Checoslováquia) e 1991 (Irlanda 2-0,Coreia 3-0).

Sete-zero é de valor. E a qualificação para os oitavos-de-final com um jogo de antecedência também. Assim sim, as madrugadas valem a pena. Pelo menos para quem aguenta abrir a pestana às cinco da manhã (menos uma nos Açores). Mais 11 em Hamilton, na Nova Zelândia, onde decorre a 20.a edição do Mundial.

É lá que os 21 eleitos de Hélio Sousa se instalam para dar seguimento ao vice-campeonato europeu sub-19 de há um ano. Na estreia Portugal marca logo aos 23 segundos, por Gelson Martins, e só nos volta a despertar ao minuto 90, com golos de André Silva e NunoSantos. No fim é um 3-0 sem espinhas. Faz-nos sonhar. Nunca o primeiro jogo nos corre tão bem em jogo e golos. O mais próximo é um 3-1 de RicardoSousa e SimãoSabrosa-2 à Coreia do Sul em 1999, na Nigéria.

Dito isto, já só se pensa no segundo jogo, com oQatar. Uma rápida vista de olhos à selecção asiática e salta-nos uma curiosidade de imediato. Ou duas. O seleccionador é espanhol (Félix Sánchez Bas) e o clube mais representativo é o Eupen, da 2.a divisão belga.Ao todo, seis jogadores. Do quem? Eupen. Nunca ouvi tal coisa. Yup,E-u-p-e-n. Gerido desde 2012 pela empresa qatari Aspire, a tal que detém o PSG.

Feitas as apresentações, vamos lá então àquilo que realmente interessa. A casa está mais vazia que o habitual. Com o Senegal, 10 mil pessoas fazem ruído. Três dias depois, vs. Qatar, apenas 1864 (não bate o recorde negativo de assistência na 1.a divisão: 430 adeptos no Arouca-Paços).

Do primeiro ao último apito do juiz uruguaio Daniel Fedorczuk, só a nossa selecção domina. Em relação ao 3-0 de domingo, Hélio substitui os benfiquistas Guzzo e Gonçalo Guedes pelos portistas Francisco Ramos e Ivo Rodrigues. E é este último quem dá espectáculo, com um golo de pontapé de bicicleta (2-0 aos  42’) e outro de cabeça (3-0 aos 66’).

Antes, o também portista André Silva abriria o marcador na conclusão de uma jogada do sportinguista Gelson Martins (33’). E depois seria o recém-entrado João Vigário, do Vitória de Guimarães, a fixar o resultado com a bola ao ângulo de Hassan, após bela jogada de Ivo Rodrigues pela direita (74’).

Nunca na história fechamos a loja aos quatro.Quer dizer, a final do Mundial 91, aquela na Luz com mais de 200 mil entusiastas, acaba 4-2, mas isso é só em penáltis. Só em tempo útil, é a primeira vez. Quatro-zero e fecha a loja por hoje. É a segunda maior vitória de sempre em Mundiais, após o 5-0 a Cuba em 2013 (bis de Bruma).

Sábado há mais. Com a Colômbia (2h00, RTP 1) basta-nos um empate para definir o primeiro lugar do grupo. A qualificação para os oitavos-de-final, essa, está mais que decidida.