Passos Coelho defende financiamento próprio do Fundo Monetário Europeu

Passos Coelho defende financiamento próprio do Fundo Monetário Europeu


“Senão não seremos capazes de levar a outro nível a discussão das politicas que queremos ver financiadas.”


O primeiro-ministro reforçou hoje a intenção de criar um Fundo Monetário Europeu, um mecanismo “com capacidade técnica e financeira para agir rapidamente e da forma mais informada possível”. 

Para isso, Passos Coelho defende que o novo fundo tenha uma maior autonomia dos governos nacionais em termos de tomadas de decisão. Mas as mudanças não se ficam por ai. O primeiro-ministro português defende uma nova forma de financiamento, que se distancia do actual, ou seja, com recursos que não dependam das transferências nacionais dos estados membros. 

“A menos que destaquemos recursos próprios da zona euro a partir de contribuições nacionais, não seremos capazes de levar a outro nível a discussão das politicas que queremos ver financiadas”, esclareceu, no discurso que encerra a quinta edição da conferência anual do Instituto Universitário Europeu sobre "O Estado da União", uma reflexão sobre a União Europeia, a decorrer em Florença.

Apesar do fundo proposto por Passos Coelho ter um carácter europeu, não dispensa, nas palavras do primeiro-ministro, a necessidade de uma disciplina fiscal a nível nacional. “O fundo vai funcionar como um instrumento de responsabilidade comum, com uma maior credibilidade e solidez económica”.

O fundo teria também, segundo Passos Coelho, a função de promover a partilha de riscos, “de modo a reduzir os custos de ajustamento para os países afectados”. Para que isso aconteça, o primeiro-ministro lembra a necessidade de “um maior grau de harmonização entre as politicas económicas e as instituições dos Estados-membros”, dando como exemplo dessa entendimento, a criação de uma comparticipação europeia dos subsídios de desemprego nacional.

Passos Coelho acredita que com uma única instituição a supervisionar e monitorizar o progresso de programas de ajustamento, o trabalho do Banco Central Europeu nestas matérias poderia ser dispensado. Durante a manha, o primeiro-ministro tinha já referido que seria importante que “o Fundo Monetário Europeu fosse a contra-parte do BCE."