Desastre. 90 soldados presos e 82 desaparecidos em Debaltseve


Putin bem avisou na cimeira de Minsk, no dia 12, que era avisado tomar uma decisão sobre o cerco dos separatistas pró-Rússia às tropas ucranianas na cidade de Debaltseve. Os avisos foram ignorados por Petro Poroshenko, Merkel e Hollande. Quarta-feira, o presidente ucraniano teve de reconhecer a capitulação da cidade, mas apareceu em uniforme militar…


Putin bem avisou na cimeira de Minsk, no dia 12, que era avisado tomar uma decisão sobre o cerco dos separatistas pró-Rússia às tropas ucranianas na cidade de Debaltseve. Os avisos foram ignorados por Petro Poroshenko, Merkel e Hollande. Quarta-feira, o presidente ucraniano teve de reconhecer a capitulação da cidade, mas apareceu em uniforme militar a anunciar uma retirada organizada pelo exército ucraniano. Ontem, a realidade ultrapassou mais uma vez a propaganda de Kiev. Afinal, o balanço da tal retirada estratégica é trágico. Pelo menos 90 soldados foram feitos prisioneiros e 82 estão dados como desaparecidos em Debaltseve, após a retirada das tropas ucranianas desta cidade estratégica do leste da Ucrânia, anunciou ontem o serviço de imprensa do exército ucraniano. Nesta operação de busca, o exército solicitou a ajuda da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), precisa o comunicado. O exército também confirmou a morte de 13 soldados, um número antes divulgado pelo director da morgue de Artemivsk, uma cidade situada a cerca de 30 quilómetros de Debaltseve. E acrescentou que 157 soldados ficaram feridos no decurso dos combates.

3 MIL soldados mortos Na manhã de quinta-feira, e citado pela agência russa Ria Novosti, o presidente do conselho supremo (parlamento) da república separatista de Donetsk, Denis Puchiline, afirmou que cerca de 3 mil soldados ucranianos foram mortos em Debaltseve. “Nesta guerra da informação, o inimigo sobrestima largamente o número de mortos e prisioneiros”, ironizou o exército ucraniano. Enquanto Kiev assegura que 80% das suas tropas retiraram deste nó ferroviário estratégico do leste, disparos de lança-foguetes múltiplos Grad efectuados pelas forças rebeldes foram escutados em redor de Debaltseve, controlada desde quarta-feira pelas forças separatistas.

Gás natural russo chega ao leste E enquanto Kiev acumula derrotas no terreno, apesar do apoio da União Europeia e dos Estados Unidos, a Rússia avança com apoios humanitários às populações do leste, que vivem uma guerra há longos meses. Ontem começou a fornecer gás aos territórios do leste da Ucrânia controlados pelos separatistas, que disseram ter deixado de recebê-lo da companhia ucraniana, anunciou a empresa estatal russa Gazprom. “Desde a tarde de ontem, a Gazprom fornece gás à Ucrânia, através das estações de Prokhorovka e Platovo, num volume de 12 milhões de metros cúbicos por dia”, disse o presidente da Gazprom, Alexei Miller, citado pelas agências russas. As estações referidas correspondem a dois dos pontos de entrada do gás russo na Ucrânia, um na região de Donetsk e o outro na de Lugansk. Miller disse que o fornecimento se enquadra “no contrato em vigor” entre a Gazprom e a companhia ucraniana Naftogaz. Pouco antes, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, disse que a Rússia poderia fornecer gás por “razões humanitárias” aos territórios separatistas. Medvedev disse ter pedido ao Ministério da Energia russo e à Gazprom que preparassem propostas de fornecimento “para dar resposta às necessidades dessas regiões”. “As pessoas não podem passar frio”, disse. Os separatistas pró-Rússia anunciaram uma interrupção brusca do fornecimento de gás aos territórios que controlam, suspensão que a Naftogaz confirmou, atribuindo-a aos estragos causados pelos combates. “O restabelecimento das entregas é impossível devido aos combates que prosseguem” e que impedem os técnicos de fazer as reparações necessárias sem arriscar a vida, informou a Naftogaz num comunicado.

Entretanto sucedem-se os apelos ao respeito pelo cessar-fogo e Poroshenko veio propor o envio de capacetes azuis para a região – proposta recusada imediatamente por Moscovo. Com Lusa