Tsunami/10 anos. Falta agir junto da população de Banda Aceh


A província indonésia de Banda Aceh, uma das mais afectadas pelo tsunami há dez anos, conseguiu recuperar alguns dos cuidados de saúde e educação, mas falta actuar junto da população, considerou hoje um responsável da organização Oikos. A organização Oikos – Cooperação e Desenvolvimento manteve equipas em permanência até 2010 nesta região da Indonésia, uma…


A província indonésia de Banda Aceh, uma das mais afectadas pelo tsunami há dez anos, conseguiu recuperar alguns dos cuidados de saúde e educação, mas falta actuar junto da população, considerou hoje um responsável da organização Oikos.

A organização Oikos – Cooperação e Desenvolvimento manteve equipas em permanência até 2010 nesta região da Indonésia, uma das mais afectadas pelo tsunami que atingiu o sudeste asiático a 26 de Dezembro de 2004 e que causou pelo menos 280 mil mortos. A operação custou cerca de 1,5 milhões de euros.

“Entrámos algumas semanas depois do tsunami, inicialmente com apoio de cuidados de saúde primária e rapidamente começámos a apoiar campos de deslocados, através de abastecimento de água e criação de condições de saneamento”, descreveu à Lusa o director de operações da Oikos.

Posteriormente, já na fase de reabilitação, a organização envolveu-se na recuperação de escolas e centros de saúde, também na área de saneamento e abastecimento de água.

Durante a missão, a organização não-governamental manteve nesta província indonésia uma equipa de 16 elementos, mas “em picos de intervenção” chegaram a estar no terreno 60 pessoas.

Dez anos depois e apesar de já não se encontrar no país, a Oikos mantém contactos com antigos parceiros para avaliar eventuais novas acções.

“As necessidades continuam a existir, é uma zona que tinha problemas estruturais antes do tsunami e só por isso é que também teve o impacto que teve. Algumas desses problemas estruturais naturalmente não foram reparados em dez anos, antes pelo contrário, o que o tsunami fez foi agravá-los e não é este processo de reconstrução que os vai eliminar”, referiu o responsável.

Uma das principais lacunas é a “organização do tecido social”, nomeadamente a nível de “competências e de participação da sociedade civil nas tomadas de decisões”, considerou Ricardo Domingos, que acrescentou que “a população tem de voltar a ganhar o seu espaço e a sua voz”.

O desastre causou uma “destruição de infra-estruturas, como as casas, pontes e estradas”, mas também do “próprio tecido social, que já era frágil na altura e que mais fragilizado ficou”, sublinhou.

Depois de uma resposta imediata às necessidades mais básicas, o apoio à reconstrução “começou a ser feito de outra forma”, sendo agora mais dependente do governo indonésio, e faz-se através de financiamentos bancários e de cooperações bilaterais, retirando espaço às organizações da sociedade civil, explicou.

O tsunami teve lugar no Oceano Índico a 26 de Dezembro de 2004, com epicentro na Indonésia, provocando ondas gigantes que se arrastaram por milhares de quilómetros, passando pela Malásia, Tailândia, Myanmar (Birmânia), Maldivas, Sri Lanka, Índia, alcançando ainda a costa oriental de África. No total, foram atingidos 14 países, em particular Indonésia, Sri Lanka, Índia e Tailândia, causando milhares de mortos e desaparecidos.

No desastre morreram cinco portugueses.

Com Lusa