Arsenal. Ainda há espaço na enfermaria?


Na quarta-feira, Arsène Wenger comemorou 18 anos à frente do Arsenal, clube onde chegou a 1 de Outubro de 1996, vindo dos japoneses do Nagoya Grampus. Durante o seu reinado passaram pela Premier League 43 clubes e 207 treinadores. Só o Chelsea teve 12, de Gullit a Mourinho. O Manchester United é, logo a seguir…


Na quarta-feira, Arsène Wenger comemorou 18 anos à frente do Arsenal, clube onde chegou a 1 de Outubro de 1996, vindo dos japoneses do Nagoya Grampus. Durante o seu reinado passaram pela Premier League 43 clubes e 207 treinadores. Só o Chelsea teve 12, de Gullit a Mourinho. O Manchester United é, logo a seguir ao Arsenal, o gigante mais contido, mas a saída de Ferguson levou a que o clube, em pouco tempo, tivesse de recorrer a dois treinadores, Moyes e Van Gaal.

Wenger fez mais que permanecer uma eternidade no Arsenal sem ser demitido. Mudou a mentalidade do futebol. Revolucionou os métodos de treino e as conferências de imprensa. Alterou os hábitos alimentares e proibiu a ingestão de bebidas alcoólicas pelos jogadores. Ajudou a planear a construção do novo estádio e foi o primeiro treinador a apresentar um 11 totalmente não inglês, para o campeonato, em 2005. A política de auto-sustentabilidade do clube, apostando quase sempre em jovens desconhecidos franceses, que pouco custaram ao clube, é algo que durante vários anos tirou do sério os adeptos do Arsenal. Ainda assim, a equipa é reconhecida por jogar um futebol bonito, algo que contrasta com o período pré-Wenger.

E o que é que o francês ganhou com isto? Em títulos a resposta é simples: três campeonatos, cinco Taças de Inglaterra, e o mesmo número de Supertaças. Pelo meio ficou quase nove anos sem levantar um caneco, uma seca que acabou recentemente, a 17 de Maio, com a conquista de mais uma Taça de Inglaterra. Mas é preciso ir mais longe. Wenger foi o primeiro treinador estrangeiro a vencer a Premier League, em 1998. Soma duas dobradinhas no Arsenal, num total de três na história do clube. A equipa que venceu o título em 2004, sem perder um único jogo, é considerada uma das melhores de sempre. Há 17 temporadas que o clube não falha a entrada na Liga dos Campeões.

Mas, juntamente com toda a glória do treinador francês, há uma maldição que o persegue há pelo menos 12 anos. As lesões. Desde Agosto de 2002, segundo o site physioroom, os gunners sofreram 889 lesões, um número muito superior ao de qualquer outra equipa do campeonato inglês. A segunda grande equipa mais massacrada por problemas físicos é o Manchester United, que soma 791 lesões no mesmo período. São menos 98 casos clínicos, o que significa menos 8,16 lesões por época. Na lista seguem-se Tottenham (785), Everton (663), Chelsea (620), Manchester City (595) e, finalmente, Liverpool (551). A comparação com os reds é particularmente alarmante, já que a diferença de 338 lesões representa menos 28,17 casos clínicos por temporada. A título de exemplo, neste momento são oito os jogadores que estão de fora da equipa do Arsenal: Mikel Arteta, Aaron Ramsey, Yaya Sanogo, Nacho Monreal, Mathieu Debuchy, Olivier Giroud, Serge Gnabry e Theo Walcott.

E quem são os campeões da enfermaria? Pensou em Abou Diaby e estava disposto a apostar a sua vida nisso? Errou. Theo Walcott é o campeão. O homem que um dia venceu Henry nos 40 metros é, aos 26 anos, o rei das lesões. São 42 desde que chegou ao Arsenal, o que o afastou dos Mundiais de 2010 e 2014. Seguem-se Abou Diaby (40), Tomas Rosicky (37) e Kieran Gibbs (27). Das 889 lesões ao longo de 12 anos, 120 estão relacionadas com os tendões e seis com problemas nos ligamentos do joelho. Wenger fartou-se e, ainda durante o Verão, contratou um dos quatro homens responsáveis pela condição física da selecção alemã, Shad Forsythe. Por enquanto as coisas não melhoraram e Wenger já prometeu que vai investigar o caso.

Chelsea-Arsenal, domingo, às 14h05, na BTV 2