Partido Livre abre-se às esquerdas “à esquerda do PS” no I Congresso em Sintra


O Partido Livre vai realizar domingo, simbólico 05 de outubro, o seu primeiro congresso, em Sintra, formalizando a abertura às esquerdas “à esquerda do PS”, visando as eleições legislativas de 2015 e a desejada ancoragem a um futuro governo. “Será o congresso pós-legalização, para ratificação dos documentos entretanto aprovados, de um lado, e, por outro…


O Partido Livre vai realizar domingo, simbólico 05 de outubro, o seu primeiro congresso, em Sintra, formalizando a abertura às esquerdas “à esquerda do PS”, visando as eleições legislativas de 2015 e a desejada ancoragem a um futuro governo.

“Será o congresso pós-legalização, para ratificação dos documentos entretanto aprovados, de um lado, e, por outro lado, em termos estratégico-políticos, para vermos a forma como vamos estruturar o trabalho para as eleições do próximo ano, antes do outro congresso ordinário, e tentar perceber como estão os contactos de convergência à esquerda, ver quais estão mais avançados”, descreveu à Lusa Rui Tavares, o rosto mais visível da nova força partidária.

O ex-eurodeputado independente pelo Bloco de Esquerda, frisou que, “caso seja aprovada a moção do grupo de contacto (órgão executivo), o Livre fica “legitimado a prosseguir a criação de uma plataforma abrangente, com a Associação Fórum Manifesto, por exemplo, entre outras forças políticas, para corporizar um pólo das esquerdas à esquerda do PS, de forma a ancorar um futuro governo precisamente à esquerda, de maneira abrangente, inclusiva e participativa, pois não pode ser feito com a direita”.

“Valoramos positivamente. Fomos pioneiros em primárias em Portugal e não nos importamos que nos roubem as boas ideias, desde que não as estraguem. Felicitámos António Costa e os seus apoiantes e esperamos que haja a consciência histórica do momento em que estamos para, juntos, rejeitarmos estas políticas de austeridade”, continuou o historiador, questionado sobre as “primárias” socialistas.

A antiga deputada do BE Ana Drago, que faz parte, juntamente com outros dissidentes bloquistas, como Daniel Oliveira, da Fórum Manifesto, será uma das oradoras do I Congresso do Livre, bem como Paulo Fidalgo da Renovação Comunista, para uma “intervenção formal”.

“Temos tido contactos para construir um projeto de trabalho conjunto e é nessa medida que irá acontecer a participação da Fórum Manifesto. Na perspetiva de haver uma alternativa convergente à esquerda”, disse à Lusa Ana Drago.

Segundo o Partido Livre, foram endereçados igualmente convites ao PCP, BE, PEV e PAN, mas, até agora, ainda não foi possível confirmar a presença e eventual participação no congresso, sob a forma de comunicação de cinco minutos, destes partidos.

“Juntar Vontades, Fazer Futuro” é o mote da reunião magna do Livre, agendada para domingo, entre as 09:00 e as 19:00, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, oito meses depois do Congresso Fundador. A moção a ser apresentada pelo grupo de contacto intitula-se “Agora, o Futuro”.

O Partido Livre foi legalizado pelo Tribunal Constitucional em março, a tempo de concorrer às “Europeias2014”, nas quais se afirmou como a sexta força política em Portugal, tendo PSD e CDS-PP participado em coligação, tal como PCP e PEV, com 2,2% dos votos, correspondentes a 71.602 eleitores.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa