Manifestantes admitem que protesto a pé teria tido mais impacto


Manifestantes que hoje participam na jornada de luta da CGTP lamentam que a travessia da Ponte 25 de Abril tenha sido feita de autocarro, considerando que o protesto teria mais impacto se fosse a pé. Centenas de autocarros estão a passar a Ponte 25 de Abril a uma velocidade normal, não se registando engarrafamentos até…


Manifestantes que hoje participam na jornada de luta da CGTP lamentam que a travessia da Ponte 25 de Abril tenha sido feita de autocarro, considerando que o protesto teria mais impacto se fosse a pé.

Centenas de autocarros estão a passar a Ponte 25 de Abril a uma velocidade normal, não se registando engarrafamentos até cerca das 14:00, num protesto marcado pelo som das buzinas e por bandeiras.

Apenas a faixa da direita está a ser usada pela circulação dos autocarros da CGTP.

A agência Lusa fez o percurso num dos autocarros e demorou cerca de 15 minutos a passar de uma margem para a outra.

Em declarações à Lusa, o reformado Silvério Carlos, de 81 anos, afirmou que o protesto “tinha muito mais impacto se fosse feito a pé”, porque “dava para desabafar e gritar”.

Este reformado, que trabalhou cerca de 50 anos no comércio, participa na jornada de luta “para pedir rapidamente a demissão do Governo”, tendo em conta que muitos dos direitos adquiridos estão a ser perdidos, principalmente nos últimos três anos.

Para Silvério Carlos, os pensionistas e os funcionários públicos são quem mais tem sido penalizado pelo Governo.

Carla Correia, que trabalha na Câmara Municipal de Lisboa há 18 anos, também considera que o protesto seria mais marcante se tivesse sido feito a pé.

“O ordenado é cada vez mais pequeno e as coisas aumentam cada vez mais”, disse à Lusa a funcionária municipal, adiantando que “vai ser muito difícil sobreviver no próximo ano”.

Carla Correia tem um ordenado de 635 euros e em 2014 vai ver o seu ordenado reduzido em 2,5%, pelo que questiona como vai pagar as contas da água, da luz e a renda de casa.

Nos acessos à ponte em Alcântara são muitas as pessoas que acenam à passagem dos autocarros.

A saída da ponte para Alcântara, a única onde está a ser autorizada a passagem dos autocarros que participam no protesto, é também a única zona do percurso do protesto que está cortada ao trânsito, apresentando por isso mais complicações de tráfego.

A CGTP marcou para hoje uma jornada nacional de luta contra a exploração e o empobrecimento que inclui manifestações no Porto e em Lisboa.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa