SOFID. Acordo com Brasil pode ajudar a financiar negócios em Moçambique


 


 

A SOFID – Sociedade Financeira de Crédito, detida maioritariamente pelo Estado português, está a negociar com o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil (BNDES), o maior do mundo em activos, em duas frentes: estabelecimento de parcerias luso-brasileiras e alternativas de financiamento de projectos de PME nacionais, nomeadamente em Moçambique.
Alguns dos maiores projectos de investimento em Moçambique são brasileiros. Só a Vale, que explora as maiores minas de carvão do mundo, na província de Tete, representa 3,8 mil milhões de euros. O governo quer garantir o seu êxito e vai precisar de ajuda.
O investimento necessita de infra-estruturas de apoio e deverá gerar uma série de negócios-satélite. “É aqui que as empresas portuguesas podem entrar”, diz Diogo Gomes de Araújo, presidente da SOFID.  “As pequenas e médias empresas portuguesas são altamente tecnológicas e inovadoras” e podem por isso ser uma mais-valia para os megaprojectos brasileiros em Moçambique. 
Como Portugal criou o fundo Investimoz, dotado de 94 milhões de euros para financiar empresas portuguesas em Moçambique, o Brasil também criou um instrumento de capital de risco para apoiar investimentos brasileiros no país africano. “A questão é que o BNDES não tem capacidade para analisar projectos de investimento de PME, só trabalha com grandes empresas. Nós temos uma postura muito mais flexível e fazemos uma análise que nos permite apoiar directamente os projectos de investimento e eles estão muito interessados em colaborar connosco, nomeadamente em Moçambique”, explica Diogo Gomes de Araújo.
“O BNDES quer apoiar a SOFID porque temos a experiência e a estrutura”, mas também porque “temos o conhecimento de mercados específicos, como Moçambique, e ainda o contacto directo com PME. É uma relação um pouco David-Golias, mas que pode ser vantajosa para ambas as instituições”, considera o presidente da sociedade financeira de crédito.
Com a crise nacional, podemos estar perante uma alternativa para obter financiamento e continuar a apoiar o investimento directo em países emergentes ou em vias de desenvolvimento. A SOFID espera um aumento de capital, previsto desde a sua constituição, em 2007, que lhe permitirá participar em operações de maior dimensão. “Sabemos que as condições se alteraram substancialmente e cabe-nos convencer o accionista de que vale a pena continuar a apostar na SOFID”, afirma o seu presidente.
A SOFID, que deverá atingir o breakeven este ano, já aprovou em 2012 o mesmo número de operações concretizadas em 2011 e participa em 20 projectos.