Ricardo Salgado: a economia espanhola “é muito forte” e banca não a vai deitar abaixo


 


 

O presidente do BES, Ricardo Salgado, defendeu hoje que a economia espanhola “é muito forte” e vai conseguir resolver os seus problemas sem ajuda da União Europeia, desvalorizando as necessidades de provisões adicionais de que a banca necessita.

“Haverá outras situações semelhantes, embora nenhuma com a dimensão da Bankia, mas não é isso que vai deitar abaixo a economia espanhola, que é muito forte”, afirmou Ricardo Salgado, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do BES no primeiro trimestre de 2012.

Aos jornalistas, o banqueiro manifestou-se “convicto” de que Espanha “vai resolver os seus problemas sem uma ajuda da União Europeia”, referindo que os problemas não atingem a banca privada naquele país.

Ricardo Salgado referiu que o problema se circunscreve aos bancos que resultam das ‘Cajas’, ou seja, bancos públicos com uma administração regional, tendo existido “alguma contaminação”.

“Temos que dar tempo ao tempo. Pode demorar tempo, mas a economia espanhola vai resistir”, declarou.

Ricardo Salgado referiu que o BES em Espanha, onde o banco português tem 25 sucursais, “não tem nada a ver com os negócios que estão a perturbar o setor financeiro” espanhol.

O sistema financeiro espanhol necessita de provisões adicionais de 22.000 milhões de euros para cumprir os novos requisitos impostos pelo Governo no que toca aos ativos imobiliários nos seus balanços.

Este valor global de provisões fica ligeiramente abaixo do total de cerca de 30.000 milhões de euros estimado pelo Governo na sexta-feira, quando aprovou a segunda reforma financeira do executivo e a quarta em Espanha desde o início da crise.

A reforma obriga a provisões adicionais, tanto para os ativos considerados problemáticos (ou tóxicos) – como os malparados ou de cobrança duvidosa –, como para os ainda considerados saudáveis.

As entidades financeiras são também obrigadas a transferir todos esses ativos imobiliários, até ao final do ano, para sociedades especializadas na sua gestão.

Segundo a informação remetida pelas entidades à Comissão Nacional de Mercado de Valores (CNMV), a BFA-Bankia requer a maior quantia de provisões, com um total de 4.813 milhões de euros.