Derrota atira selecção para o playoff


Digam o que disserem, Portugal é um país de matemáticos. No século XVI, Pedro Nunes inventou o nónio. Desde então, mostramos ser um país que gosta de fazer contas, que adora matemática. Antes do jogo na Dinamarca, não faltaram variáveis nas contas. As independentes, o jogo de Portugal, e as dependentes, que englobavam os resultados…


Digam o que disserem, Portugal é um país de matemáticos. No século XVI, Pedro Nunes inventou o nónio. Desde então, mostramos ser um país que gosta de fazer contas, que adora matemática. Antes do jogo na Dinamarca, não faltaram variáveis nas contas. As independentes, o jogo de Portugal, e as dependentes, que englobavam os resultados da Rússia, Grécia, Suécia e Croácia.
O jogo em Copenhaga não podia ser excepção. Paulo Bento tinha prometido na véspera que não ia jogar para o empate e a repetição do onze, com Eliseu na esquerda da defesa, parecia comprová-lo. Em campo, a história foi diferente. A Dinamarca entrou a todo o gás e não deixou Portugal respirar. Ainda a equipa de Paulo Bento não tinha rematado à baliza e já os dinamarqueses festejavam um golo que Rizzoli anulou. Fosse como fosse, o aviso estava dado. O empate podia servir às duas equipas (a vitória da Suécia sobre a Holanda por 3-2 mostrou que seria errado jogar para o empate), mas os dinamarqueses só pensavam na vitória.
Portugal parecia refém da sua própria impotência. Não havia um raciocínio lógico em campo e não se conseguia formar uma jogada. Logo no início, Nani lançou Ronaldo em profundidade mas a bola foi parar a uma zona de ninguém. O desnorte era contagioso e, numa tentativa de marcar o ponto de viragem, foi o próprio Nani a tentar recuperar a bola. Inconsequente.
Não havia nada a fazer. Portugal estava irreconhecível e o pesadelo ainda nem sequer tinha começado. Seria ao minuto treze, o tal da sorte e azar, a marcar o início. Krohn-Dehli recebeu a bola na esquerda, flectiu para o meio e rematou em arco. Seria um golo bonito se entrasse directamente mas numa noite em que pouca coisa correu bem a Portugal, ainda bateu na cara de Rolando e no poste da baliza de Rui Patrício.
Não era grave. Ainda. O Suécia-Holanda continuava empatado e as aspirações lusitanas intactas. Os matemáticos entraram em acção para demonstrar que Portugal seria o melhor segundo mas antes de completarem o raciocínio viram os suecos festejar.
A conclusão lógica deveria ser simples de entender. Era preciso esquecer as variáveis dependentes. Esperar que a Holanda não perdesse era um risco muito grande e a concentração teria de estar em pleno no Parken Stadium. Coincidência ou não, foi na fase final da primeira parte, que Portugal esteve melhor. João Pereira aproveitou o espaço no flanco direito e foi desequilibrando. Mas faltaram as oportunidades, os remates, o golo.
A segunda parte piorou as contas. A Holanda ajudou com a reviravolta e, durante dois minutos, as contas pareciam um sonho português inspirado nas mesmas tágides de Camões. Com a Suécia a perder, Portugal poderia sair goleado (até 4-0)da Dinamarca. Mais uma vez, ser matemático não compensa. Num espaço de três minutos, mudou tudo menos uma variante. A Suécia virou para 3-2 e Portugal continuava a poder sair goleado. Não porque pudesse mas porque não conseguia fazer melhor. Bendtner fez o 2-0 aos 63’ e o que se seguiu foi um festival de oportunidades falhadas dos dinamarqueses e defesas espectaculares de Rui Patrício. Paulo Bento mexeu, inclinou a equipa para o ataque mas o melhor que conseguiu foi festejar um golo de Ronaldo, num livre directo, nos descontos.
A derrota era inevitável, bem como o triunfo da Suécia. Agora, num país que tem tanto de matemáticos como de sofrimento, é preciso passar por mais duas tormentas. O sorteio do playoff (jogos a 11/12 e 15 de Novembro) é amanhã em Cracóvia ao meio-dia e os quatro adversários possíveis de Portugal serão a Estónia, o Montenegro, Turquia e República Checa. Aí, a matemática será a do primeiro ciclo: ganhar ou ir para casa.